terça-feira, 30 de abril de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
fogo aberto
Pedra a pedra a estrada antiga
sobe a colina, passa diante
de musgosos muros e desce
para nenhum sopé;
encurva, na abstracta encruzilhada;
apaga-se, na realidade. Morre
como o rastilho do fogo,
que de campo em campo aberto
seguia, e ao bater na mágica cancela
dobrava a chama, para uma respiração,
e deixava o caminho do portal
incólume e iniciado.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"
sobe a colina, passa diante
de musgosos muros e desce
para nenhum sopé;
encurva, na abstracta encruzilhada;
apaga-se, na realidade. Morre
como o rastilho do fogo,
que de campo em campo aberto
seguia, e ao bater na mágica cancela
dobrava a chama, para uma respiração,
e deixava o caminho do portal
incólume e iniciado.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"
terça-feira, 23 de abril de 2013
som ou silêncio?
Música Calada
Dizias que nos sobram as palavras:
e era o lugar perfeito para as coisas
esse escuro vazio no teu olhar.
E demorava a dura paciência,
fruto do frio nas nossas mãos vazias
que mais coisas não tinham para dar.
Dizia então a dor o nosso gesto
e durava nas coisas mais antigas
a solidão sem rasto que há no mar.
Luís Filipe Castro Mendes
quinta-feira, 18 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
ao sul
Acercam-se as sombras,
tão longe despenha-se o sol, algures no mar.
As casas são baixas, alinhadas em declive,
os telhados oblíquos,
os pátios circulares, em repouso a esta hora.
Vastas são as vinhas e os terraços,
vastas as vagas de um mar próximo, as pegadas
na praia agora deserta,
recolhidos os remos e as redes,
recolhida a minha vida.
Nada espero senão esta hora já lenta,
uma lua cheia de cio e aflições,
o regresso dos homens e dos cães, a treva.
Que cheguem.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
nó
Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
Manuel da Fonseca in "Poemas Dispersos".
terça-feira, 9 de abril de 2013
Terreno
Esta terra é nossa - dizem.
Esta terra lembra o desalento do nada
a saudade do verde que se teima em querer durar na nossa vida
Falam de feridas abertas
onde a dor se acende e o vento morno nos embala
A irmã lua ainda dança
para a gente cantar
A mãe lua ainda chama
para a gente dançar...
E se quisermos dobrar a alma
e tecer a tristeza em toques de veludo e de urze despida,
estamos à vontade e à frente do tempo e dos tempos
Vale o cântico desta terra
a fonte que não seca
o xisto que constrói pontes dentro de nós
Onde quer que eu vá
em toda a parte
onde quer que o sonho e a fadiga telúrica me leve,
hei-de lembrar-me de ti.
Terra minha. Terra nossa.
sábado, 6 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
caixa de palavras
Guardarás numa caixinha
o que não fiz por ti,
a mão que não chegou à sobrancelha
que nem aflorou,
o beijo repetido nas palavras
sem que o tacto
o multiplicasse qual se desejava.
Nessa caixa de nada não tardará depois
a não estares só tu,
a não estar só eu,
a estarmos só os dois.
PEDRO TAMEN
o que não fiz por ti,
a mão que não chegou à sobrancelha
que nem aflorou,
o beijo repetido nas palavras
sem que o tacto
o multiplicasse qual se desejava.
Nessa caixa de nada não tardará depois
a não estares só tu,
a não estar só eu,
a estarmos só os dois.
PEDRO TAMEN
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Ilha
Houve uma ilha em ti que eu conquistei.
Uma ilha num mar de solidão.
Tinha um nome a ilha onde morei.
Chamava-se essa ilha Coração.
Que saudades do tempo que passei.
Nenhum desses momentos foi em vão.
Do teu corpo, de ti, já nada sei.
Também não sei da ilha, não sei, não.
Só sei de mim, coberto de raízes.
Enterrei os momentos mais felizes.
Vivo agora na sombra a recordar.
A ilha que eu amei já não existe.
Agora amo o céu quando estou triste
por não saber do coração do mar.
Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'
quinta-feira, 21 de março de 2013
poemário
Com uma pêra, dou-lhe um nome de erro
entre mim e tudo, na mão, amadureço
enquanto ela se torna propícia,
amarela ao influxo do vento de estrela para estrela.
O sangue da mão ensombra a fruta na sua volta
de átomos, abala
imagem, arquitectura.
E o espaço que isto cria: a noite
aparece no ar. E dura, leve, tersa, curva,
a linha
do fogo entrecruza
os pontos paralelos: a pêra desde o esplendor,
a mão desde
o equilíbrio, os centros
do sistema geral do corpo, o buraco negro.
Morro?
Escrevo apenas, e o hausto aspira
dedos e pêra, enigma e sentido, ordem, peso, o papel onde assenta
a constelação do mundo com esse buraco
negro e as palavras em torno.
No instante extremo de
desaparecerem.
Se morro, é por exemplo.
Herberto helder
Do Mundo
Assírio & Alvim, 1994
entre mim e tudo, na mão, amadureço
enquanto ela se torna propícia,
amarela ao influxo do vento de estrela para estrela.
O sangue da mão ensombra a fruta na sua volta
de átomos, abala
imagem, arquitectura.
E o espaço que isto cria: a noite
aparece no ar. E dura, leve, tersa, curva,
a linha
do fogo entrecruza
os pontos paralelos: a pêra desde o esplendor,
a mão desde
o equilíbrio, os centros
do sistema geral do corpo, o buraco negro.
Morro?
Escrevo apenas, e o hausto aspira
dedos e pêra, enigma e sentido, ordem, peso, o papel onde assenta
a constelação do mundo com esse buraco
negro e as palavras em torno.
No instante extremo de
desaparecerem.
Se morro, é por exemplo.
Herberto helder
Do Mundo
Assírio & Alvim, 1994
quinta-feira, 14 de março de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
a visita do tio oscar
A 85.ª edição dos Óscares decorreu esta madrugada dentro, no Dolby Theatre, em Los Angeles, numa cerimónia apresentada
pelo comediante Seth MacFarlane.
Ao longo de três horas foram atribuídas 24 estatuetas.
Melhor Realizador
Ang Lee - «A Vida de Pi»
Melhor Filme
«Argo»
Melhor Atriz Secundária
Anne Hathaway - «Os Miseráveis»
Melhor Atriz Principal
Jennifer Lawrence - «Silver Linings Playbook»
Melhor Ator Principal
Daniel Day-Lewis - «Lincoln»
Melhor ator secundário
Cristoph Waltz, «Django Libertado»
Melhor argumento adaptado:
"Argo"
Melhor argumento original:
"Django Libertado"
Melhor filme estrangeiro (de língua não inglesa):
"Amor" (Áustria)
Melhor filme de animação:
"Brave"
Melhor documentário:
"Searching for sugar man"
Melhor documentário em curta-metragem:
"Inocente"
Melhor curta-metragem:
"Curfew"
Melhor curta-metragem de animação:
"Paperman"
Melhor produção artística:
"Lincoln"
Melhor fotografia:
"A vida de Pi"
Melhor montagem:
"Argo"
Melhor caracterização:
"Os miseráveis"
Melhor guarda-roupa:
"Anna Karenina"
Melhor Banda-sonora original
«Life of Pi» (Mychael Danna)
Melhor Canção original
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" - Adele (música e letra)
Melhor montagem de som:
"Skyfall"
"00:30 Hora Negra"
Melhor mistura de som:
"Os miseráveis"
Melhores efeitos visuais:
"A vida de Pi"
Ao longo de três horas foram atribuídas 24 estatuetas.
Melhor Realizador
Ang Lee - «A Vida de Pi»
Melhor Filme
«Argo»
Melhor Atriz Secundária
Anne Hathaway - «Os Miseráveis»
Melhor Atriz Principal
Jennifer Lawrence - «Silver Linings Playbook»
Melhor Ator Principal
Daniel Day-Lewis - «Lincoln»
Melhor ator secundário
Cristoph Waltz, «Django Libertado»
Melhor argumento adaptado:
"Argo"
Melhor argumento original:
"Django Libertado"
Melhor filme estrangeiro (de língua não inglesa):
"Amor" (Áustria)
Melhor filme de animação:
"Brave"
Melhor documentário:
"Searching for sugar man"
Melhor documentário em curta-metragem:
"Inocente"
Melhor curta-metragem:
"Curfew"
Melhor curta-metragem de animação:
"Paperman"
Melhor produção artística:
"Lincoln"
Melhor fotografia:
"A vida de Pi"
Melhor montagem:
"Argo"
Melhor caracterização:
"Os miseráveis"
Melhor guarda-roupa:
"Anna Karenina"
Melhor Banda-sonora original
«Life of Pi» (Mychael Danna)
Melhor Canção original
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" - Adele (música e letra)
Melhor montagem de som:
"Skyfall"
"00:30 Hora Negra"
Melhor mistura de som:
"Os miseráveis"
Melhores efeitos visuais:
"A vida de Pi"
sábado, 16 de fevereiro de 2013
O mestre mentor
THE MASTER, herdeiro da minha MAGNÓLIA, definitivamente, não é um filme fácil.
Mas é o melhor filme do ano.
Adulto, comprometido, acre, profundo, insuportavelmente perdido...
«O Mentor» é o sonho vivo e materializado do eterno estudante de Cinema, e uma adição meritória ao cânone formidável de Anderson sobre as falhas da natureza Humana.
Phoenix, insuperável (mesmo por Day Lewis).
Hoffman, o dito vulcão.
Adams, admirável.
A cena em que ele parte numa motorizada rumo ao infinito para nuna mais voltar é antológica.
A tempo de curar as feridas do passado e as promessas do futuro, num presente exangue, volúvel e inconsistente.
Num mundo em que alguém tem sempre um dono, em que alguém comanda sempre alguém...
MAGNÍFICO!
Mas é o melhor filme do ano.
Adulto, comprometido, acre, profundo, insuportavelmente perdido...
«O Mentor» é o sonho vivo e materializado do eterno estudante de Cinema, e uma adição meritória ao cânone formidável de Anderson sobre as falhas da natureza Humana.
Phoenix, insuperável (mesmo por Day Lewis).
Hoffman, o dito vulcão.
Adams, admirável.
A cena em que ele parte numa motorizada rumo ao infinito para nuna mais voltar é antológica.
A tempo de curar as feridas do passado e as promessas do futuro, num presente exangue, volúvel e inconsistente.
Num mundo em que alguém tem sempre um dono, em que alguém comanda sempre alguém...
MAGNÍFICO!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
ave eva
Eva...
ave
Entrego
o pôr-do-sol nas tuas mãos
E
procuro a mundividência fora dos teus olhos (embora por eles queira ver o
mundo)
Sou
um salteador de trovas perdidas
Domesticador
do azul que de mim brota
Se
te disserem que não te mereço
Pensa
que o azul sempre se deu bem com o fogo que te amarrota...
Sabes,
esperarei sempre por ti, mesmo que chegues a horas pardas!
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Les Miserables
A indigência não tem fim. E, pelos vistos, não falta quem adore.
Não sei se vomite, se ria, se chore, se....não posso dizer.
Que Deus se apiede daquela maralha.
E XAU.
(Não consigo adicionar imagens neste momento.....mais uma razão para não vir aqui tão cedo.) Desculpem.
Gui
Pode não haver comida...pode não haver dinheiro para a renda...mas todos os pobres e miseráveis ficam contentes com os milhares que estes ignorantes e medíocres e inúteis vão ganhar na TVI, com a Casa dos Segredos...Decisão Final...Algo muito importante que a Teresa Guilherme, o Carlos Moedas e o FMI andam a apoiar e a defender como solução para o país. vamos todos para a casa e a Voz passa a FMI.
Que merda de gente e de país e que tristeza franciscana.Não sei se vomite, se ria, se chore, se....não posso dizer.
Que Deus se apiede daquela maralha.
E XAU.
(Não consigo adicionar imagens neste momento.....mais uma razão para não vir aqui tão cedo.) Desculpem.
Gui
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
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