
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Horror

Não vou colocar aqui os links que vos permitiriam ver o que vi.
Armei-me em forte e dono de estômago de avestruz e visionei o video da execução/decapitação do jornalista americano Daniel Pearl. Além desse, vi mais 3 videos de decapitações (feitas com facas, o que demora um pouco) de outros refens...masoquismo meu ? lição: por muito fortes que nos achemos há limites para a nossa sensibilidade e sanidade.....acho que foi do pior que alguma vez presenciei..prefiro assistir a autópsias, onde sempre há respeito pelo corpo e pela pessoa que foi.
Só escrevo para afugentar as imagens horriveis daquelas gargantas a serem cortadas, dos gritos, dos estertores e do sangue a jorrar.
Um conselho: nunca queiram ver isso. Imaginem, será sempre melhor que a realidade.
Nem sei que foto aqui ponha. Nenhuma? ou qualquer coisa ? qualquer coisa que seja viva e segura....como o mar (segura no sentido de perene)
sábado, 23 de maio de 2009
Peixeirada

César...tu, Mestre destas coisas, vê lá se consegues colocar aqui, tirando do YouTube, a verdadeira e vergonhosa peixeirada do Jornal da Noite da TVI entre a MMG e o M.P. Bastonário.
É de antologia. Dificilmente se assisitirá a algo igual nos próximos tempos.
Quarto de Lua
poeira de luz
espirro de nuvem
solstício do meu esquecimento
Não sei por onde andas,
perdida entre os átomos da paciência
e da lonjura que se faz perto.
Procura-me,
encontra-me entre as nebulosas do sétimo céu
e não digas de onde vens -
não mates o meu espanto,
não limites o meu espectro,
não arranques o veludo
de que é feita a distância que - ainda - existe entre nós...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Chegou hoje à cidade de Deus




João Bénard da Costa deixou-nos hoje.
Foi ver o último filme de Tarantino noutra dimensão, sem pipocas ou serpentinas.
Deus lhe saberá dar um tempo extra e um sofá confortável para que ele continue a ver cinema grátis...
Para sempre!
A baía do adeus

Porque graças a ti descobri
(dirás que já era tempo
e com razão)
que o amor é uma baía linda e generosa
que se ilumina e se escurece
conforme venha a vida
uma baía onde os barcos
chegam e vão embora
chegam com pássaros e augúrios
e vão embora com sereias e neblinas
uma baía linda e generosa
onde os barcos chegam
e vão embora
mas tu
por favor
não vás embora.
Mario Benedetti (Uruguai - morto o poeta aos 88 anos, no dia 17 deste mês)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Alergias

Estou quase erradicado do blog....tanta planta, tanta flor...bonitas, mas cheias de polen...e eu que, agora nesta idade, desenvolvi uma alergia aos polens...tenho passado horrores (garganta, olhos, nariz e, por vezes, a própria respiração).
Olhei o blogue e tive um ataque...a Passi não tem culpa...mas fiquei em cuidado..não consigo respirar no meio de tanta planta e flor....um beijinho Passi...
domingo, 17 de maio de 2009
No sorriso louco das mães

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batemos dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batemos dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras.
E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,em volta das candeias.
No contínuo escorrer dos filhos.
(...)
Helberto Helder
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,em volta das candeias.
No contínuo escorrer dos filhos.
(...)
Helberto Helder
sábado, 16 de maio de 2009
Climatis
Para todos os que faltam nomear, o Armando, a Alfazema, a R., a Princesa Pat, a Eu, a Anabela, o Clap, a Avó Pirueta, a Elsa, o Pé.
Para a Cris com o aroma ambicionado por Margens do Douro
O meu jardim parece um laboratório de essencias para perfumes.
Como, por razões óbvias, não posso deixar-vos sentir o aroma,
aqui fica a sua definição no feminino e no masculino.
Definição feminina
Imagine-se o aroma de um limão meio maduro meio verde,
com casca fina e rija. Misture-se um pouco de aroma de pau
de canela trazida do oriente pelas primeiras naus portuguesas.
Estando a mistura neste ponto, junte-se um pouco de sal
e essência de homem quando a mulher o deseja.
Deixe-se ficar tomando o sol de uma tarde de fim de primavera,
quando se instala a solidão.
E quando se desejar meter o nariz no meio das flores,
o perfume acontece.
Definição masculina
Imagine-se o aroma de uma laranja verde com casca luzidia,
tão fina, como a pele de uma mulher jovem.
Misture-se com os aromas de umas quantas bagas de vinha virgem,
um pouco de gelo e três gotas de Moscatel do Douro Superior.
Quando tiver imaginado este aroma,
junte-se um pouco do aroma de mel de urze selvagem.
Deixe-se ficar tomando o calor tórrido do primeiro beijo
entre um homem e uma mulher apaixonados.
Quando se desejar comer essas flores, o perfume está lá.
Publicado pela primeira vez há cerca de um ano.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
A festa de Babette II

Ainda que nem sempre consigamos percebê-lo, a vida sorri-nos de formas diferentes:
para uns, a fartura nunca chega a ser suficiente,
para outros, o MUITO POUCO (quase nada!) é motivo de alegria e partilha.
Estas imagens são a prova de que não sabemos valorizar o IMENSO que temos e que não aproveitamos e, muito menos, dividimos.
Vejam por favor:
quinta-feira, 14 de maio de 2009
O Maestro

Trazemos connosco o passado como um cometa arrasta a sua cauda. Naquele tempo, eu lia o Livro do Desassossego e encontrava nele o mapa da minha cidade interior. Percorria as suas palavras lúcidas e tristes, cismava naquelas verdades que parecem mentiras, contemplava esse grande estilo frio e penumbroso, aceso só para dentro, que me é tão real como um sonho.
Via no patrão Vasques o símbolo da banalidade útil da vida. Fazia dos meus dias a escrita meticulosa de uma contabilidade da alma e andava pela Rua dos Douradores - onde também há universo! - como se fosse sempre o estrangeiro que todos, por vezes, nos sentimos.
Até os restaurantes económicos e sombrios, onde apenas se pode estar bem sozinho, me pareciam os únicos lugares do mundo, além das ruas desertas onde os passos ecoam, dignos de um destino metafís1co.
Num desses restaurantes, conheci um homem que aí jantava e tinha no sorriso com que saudava a minha entrada na sala o último vestígio de uma antiga e quase esquecida proximidade humana.
Num desses restaurantes, conheci um homem que aí jantava e tinha no sorriso com que saudava a minha entrada na sala o último vestígio de uma antiga e quase esquecida proximidade humana.
Esse sorriso, que começou por cessar a meio da sua escassez, foi, com o tempo, dilatando-se, até se tornar claro e oferecido. Numa noite de chuva, o homem, sentado na mesa próxima da minha, dirigiu-me uma palavra e eu notei que até a longínqua indiferença dos astros se havia alterado. Tempo passado, deixou cair uma frase e o meu espanto viu-se como uma cor.
Até que, num entardecer doce de primavera, mais queirosiano que pessoano, se aproximou de mim, disse que morava perto e convidou-me para um concerto em sua casa.
Como o sabia solitário, imaginei-o solista de um qualquer instrumento e acedi a acompanhá-lo. Mas, em breve, seria esclarecido sobre a sua arte. Entrámos em casa e sentou-me num sofá gasto. Feliz por ter a assistência que todas as noites lhe faltava, pegou numa batuta, dispôs a partitura sobre a estante e começou a dirigir, com gestos intensos, uma orquestra imaginária que tocava a Quinta Sinfonia de Mahler.
Quando chegou o adagietto, o seu êxtase esteve à altura do som pungente que saía do gira-discos onde rodava, na .sua monotonia circular, um disco com a versão daquela sinfonia dirigida por Abbado.
Percebi então que, todas as noites, ele dirigia, daquela maneira singular, uma grande obra, convencido, como tantos outros que pensam criar o que já está criado, de que assim prestava um alto serviço à cultura. Na véspera, confessou-me, tinha regido Il Trovatore, da Callas e do Karajan. E acrescentou com orgulho: «Correu-me muito bem!»
O concerto a que assisti também foi magnífico. Quando me despedi, pensei: ao contrário do homem da minha primeira crónica, que, no café, apagava as palavras que escrevia, sem que delas tenha sobrado sequer uma, este, com a sua direcção imaginária, lega ao futuro uma obra que perdurará - vasta, sólida e gloriosa.
O concerto a que assisti também foi magnífico. Quando me despedi, pensei: ao contrário do homem da minha primeira crónica, que, no café, apagava as palavras que escrevia, sem que delas tenha sobrado sequer uma, este, com a sua direcção imaginária, lega ao futuro uma obra que perdurará - vasta, sólida e gloriosa.
Um, tudo criou e nada deixou; o outro, tudo deixa sem nada criar.
Dos dois, qual é, afinal, o mais prevenido?
José Manuel dos Santos – coluna Impressão Digital – in Expresso de 14.10.06
José Manuel dos Santos – coluna Impressão Digital – in Expresso de 14.10.06
terça-feira, 12 de maio de 2009
Mais noite que a noite

SENTIMENTO DO MUNDO
Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem
e o corpo transige na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram que havia uma guerra
Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho desfiando a recordação do sineiro,
da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca e não foram encontrados
ao amanhecer
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
sábado, 9 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Resposta a Guilherme e a Eva
Porque aqui não grita.
Encanta.
Por ser desse mar
e ser hoje o dia do seu natal...
quinta-feira, 7 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Os disfarces em Pessoa

É tão suave a fuga deste dia,
Lídia, que não parece que vivemos.
Sem dúvida que os deuses
Nos são gratos esta hora,
Em paga nobre desta fé que temos
Na exilada verdade dos seus corpos
Nos dão o alto prémio
De nos deixarem ser
Convivas lúcidos da sua calma,
Herdeiros um momento do seu jeito
De viver toda a vida
Dentro dum só momento,
Dum só momento, Lídia, em que afastados
Das terrenas angústias recebemos
Olímpicas delícias
Dentro das nossas almas.
E um só momento nos sentimos deuses
Imortais pela calma que vestimos
E a altiva indiferença
Às coisas passageiras
Como quem guarda a coroa da vitória
Estes fanados louros de um só dia
Guardemos para termos,
No futuro enrugado,
Perene à nossa vista a certa prova
De que um momento os deuses nos amaram
E nos deram uma hora
Não nossa, mas do Olimpo.
Odes de Ricardo Reis - Fernando Pessoa.
domingo, 3 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
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O desejo.








