segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pensamento recorrente


O mundo saiu dos gonzos!
Vã fadiga a de haver nascido
com o dever de o consertar!

William Shakespeare,
Hamlet

domingo, 21 de setembro de 2008

Os Comediantes





Nuvens cor da palidez da morte apertam a garganta de quem apenas se alimenta do cálice do pranto, línguas de fogo devoram as entranhas dos que, comodamente, pisam os mais fracos.
Há berros incontidos em cada um de nós. Há brisas de um novo tempo que não deixam respirar.
Há aguias majestosas à espreita de uma presa fácil e há algas feiticeiras misturadas com tanto mar...
Espalhai a notícia: eu tive um sonho.
É que viraram a página e todos os escorpiões foram mortos!

No Terraço


«Uma manhã, um de nós esgotou a tinta preta; e foi o nascimento do Impressionismo».
«A Natureza conduz o artista para a solidão; eu quero permanecer entre os homens».
Pierre-Auguste Renoir

(O Meu Renoir Preferido.)

Manhãs Limpas


Quadros de Pierre-Auguste Renoir

O amor é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.
Eugénio de Andrade ( Os amantes sem dinheiro)

sábado, 20 de setembro de 2008

Big Brother


Sem palavras

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Caminhada


Quando a saudade aperta
E o longe se faz dor
As curvas do caminho
Tomam os cheiros
Os gestos
As palavras
Das memórias
Caminhadas
Da nossa vida...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Será que tudo muda mesmo?


Grato estou à Alfazema por me ter dado a conhecer esta bela balada de Mercedes Sosa.
Ei-la...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vida


Quando o vendaval acorda os mortos no túmulo, quando o mar enche a terra com sua música selvagem, gosto de me perder no abismo profundo da vida.
A vida tem para mim o fascínio do mistério. Flor que nasce e que morre num dia, a vida tem a duração da eternidade.
Antes do homem existir, a vida já cantava sobre as águas. E quando o homem abriu os olhos para a luz, foi a vida que lhe pôs no coração o primeiro frémito e o primeiro espanto.


Paulo Corrêa Lopes, Poeta Brasileiro.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nessa lua que se afundava...

Ouvi, vindo da lua que um dia eu te dei, e que se afundava, a olhos vistos, uma prece:
"Eu não voltarei.
E a noite morna, serena, calada, adormecerá tudo, sob sua lua solitária.
Meu corpo estará ausente, e pela janela alta entrará a brisa fresca a perguntar por minha alma. Ignoro se alguém me aguarda de ausência tão prolongada, ou beija a minha lembrança entre carícias e lágrimas.
Mas haverá estrelas, flores e suspiros e esperanças, e amor nas alamedas, sob a sombra das ramagens.
E tocará esse piano como nesta noite plácida, não havendo quem o escute, a pensar, nesta varanda".
Nesse momento, sentei-me no barco
e circundei a lua que ainda estava hirta nas águas felizes do nosso ocaso.
Não olhei para trás.
Não vi que, ao longe, tu me piscavas os olhos rasos de água
E não ouvi a sonata que me dedicaste.
Se alguém me espera, no alto da minha queda,
é porque mereço.

Lugares magnólicos

O cais dele...

A ponte dela...

Meu poiso renovado...



Sobre as palavras, esses redondos vocábulos...


Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.
A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha
Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.


Anos depois, na estrada,
Encontro
Essas palavras secas e sem rédeas,

Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

Sylvia Plath

(tradução de Ana Cristina César)

Marco Polo



Marco Polo, nasceu em Veneza em 15 de Setembro de 1254. Foi um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda. O relato detalhado das suas viagens pelo oriente, incluindo a China, foi durante muito tempo uma das poucas fontes de informação sobre a Ásia no ocidente.
Esteve na corte do rei mongol Kublai Kan, neto do poderoso Gengis Kan e, a seu serviço, percorreu a Tartária, a China e a Indochina. Voltou a Veneza, mediante permissão do Imperador, em 1295.
Marco Polo foi feito prisioneiro na guerra contra Génova. Durante o cativeiro, ditou as suas aventuras de viagem a Rusticiano de Pisa, também prisioneiro.
Existem, no entanto dúvidas sobre a efectiva realização por Marco Polo de todas as viagens que contou, havendo quem pense que, em alguns casos, narrou histórias que ouviu de outros viajantes. Mas, quaisquer que tenham sido as fontes de A Descrição do Mundo, de Marco Polo, aquela descrição é reconhecidamente importante, quer na época, quer na actualidade.

Reflectindo esta relativização das Viagens de Marco Polo deixo aqui um interessantíssimo diálogo entre o próprio Marco Polo e Kublai Kan, in Calvino, Italo; As Cidades Invisíveis; Lisboa: Editorial Teorema; 2006.


Kublai:-- Não sei quando tiveste tempo para visitar todos os países que me descreves. Eu acho que tu nunca saíste deste jardim.


Polo:- Cada coisa que vejo e faço toma sentido num espaço da mente onde reina a mesma calma daqui, a mesma penumbra, o mesmo silêncio percorrido pelo estalar das folhas. No momento em que me concentro a reflectir, dou comigo sempre neste jardim, a esta hora da tarde, na tua augusta presença, embora continuando sem um instante de pausa a subir um rio verde de crocodilos ou a contar os barris de peixe salgado que colocam no porão.


Kublai:- Nem eu tenho a certeza de estar aqui, a passear por entre as fontes de pórfiro, ouvindo o eco dos repuxos, e não a cavalgar coberto de suor e de sangue à cabeça do meu exército, conquistando os países que tu terás de descrever, ou a cortar os dedos dos sitiantes que escalam as muralhas de uma fortaleza assediada.


Polo:- Talvez este jardim só exista à sombra das nossas pálpebras cerradas, e nunca tenhamos deixado, tu de erguer poeira nos campos de batalha, e eu de contar sacos de pimenta em longínquos mercados, mas sempre que semicerramos os olhos no meio da algazarra e do tropel é-nos concedido o retirarmo-nos aqui vestidos de quimonos de seda, a considerar o que estamos a ver e a viver, a tirar as somas, a contemplar de longe.


Kublai:- Talvez este nosso diálogo esteja a desenrolar-se entre dois vagabundos alcunhados de Kublai Kan e Marco Polo, que estejam a vasculhar num depósito de lixo, amontoando destroços enferrujados, bocados de pano, papel velho, e que bêbedos com poucos goles de vinho ordinário vejam à sua volta resplandecer todos os tesouros do Oriente.


Polo:- Talvez do mundo só tenha restado um terreno vazio coberto de imundícies, e o jardim suspenso do palácio do Grão Kan. São as nossas pálpebras que os separam, mas não se sabe qual está dentro e qual está fora.



(Nota: o agendamento automático pregou-me uma partida, por isso só hoje publico este post.)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Por onde andas, Gui?


A Bela do Outono. A Cidade do Porto.












A Cidade do Porto, ou "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta" Cidade do Porto. É a cidade que deu o nome a Portugal – desde muito cedo (c. 200 a.C.) que se designava de Portus, vindo mais tarde a tornar-se a capital do Condado Portucalense, ou Portucale (de onde houve nome Portugal). É ainda uma cidade conhecida mundialmente pelo seu vinho, o seu centro histórico, catalogado como Património Mundial pela UNESCO e pelo seu conhecido clube de futebol (Futebol Clube do Porto).

Fontes: Wikipédia

domingo, 14 de setembro de 2008

A vida fechada no passado.



"Este é o passo mais difícil para quem aprende a estar morto: convencer-se de que a sua própria vida é um conjunto fechado, todo no passado, ao qual não se pode juntar nada, nem introduzir modificações de perspectiva na relação entre os vários elementos."




Italo Calvino, in " Palomar"

sábado, 13 de setembro de 2008

O baile dos piratas


Para que conste...
Foi piratinha mas já se veste de gala, pois então!
E lá vou, todo ufano, por ir receber um prémio que é dedicado à minha juventude e criatividade leiriense, fruto do Liz e do Lena, rios do meu desaguar da idade dita maior...
Um beijo terno, E.

http://www.galaradioclubedeleiria.com/

A luz e a cor de Setembro.


Porque há azevinhos
no jardim
de bagas amarelas,
em trânsito para o rubro,
e o presente Outono
cruza com o Verão
eternos sentimentos de nostalgia,
ofereço-vos a luz deste Setembro

como se fora minha,
como se eu fora luz...


Porque há milho
na eira
de cores vermelha e amarela
que mãos experientes
desfolharam,
e o presente Outono
cruza com o Inverno
poderosos sentimentos de intimidade,
ofereço-vos as cores deste Setembro

como se fossem minhas,
como se eu fosse cores...



sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ABBA - ontem, hoje e amanhã

Confesso o meu pecado - sou e sempre serei fã do som ABBA.
Melodias que ficam eternas, agora revisitadas no cinema por "Mamma Mia", com direito a ilhas gregas e à Streep a cantar como ninguém.
Deixo-vos um tema pouco ouvido e que demonstra bem a virtuosidade Benny Andersson /Bjorn Ulvaeus, dois dos melhores autores dos nossos tempos - Move On!
E assim vamos vivendo a vida...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Soneto da Saudade


Quem bate à minha porta não me busca.
Procura sempre aquele que não sou
e, vulto imóvel atrás de qualquer muro,
é meu sósia ou meu clone, em mim oculto.

Que saiba quem me busca e não me encontra:
sou aquele que está além de mim,
sombra que bebe o sol, angra e laguna
unidos na quimera do horizonte.

Sempre andei me buscando e não me achei:
E ao pôr-do-sol, enquanto espero a vinda
da luz perdida de uma estrela morta

Sinto saudades do que nunca fui,
do que deixei de ser, do que sonhei
e se escondeu de mim atrás da porta.

Lêdo Ivo, poeta e escritor.
Membro da Academia Brasileira de Letras.