terça-feira, 20 de maio de 2008
Ode à noite travesti
Dans un très vieil appartement
Rue Sarasate
J'ai pour me tenir compagnie
Une tortue deux canaris
Et une chatte
Pour laisser maman reposer
Très souvent je fais le marché
Et la cuisine
Je range, je lave, j'essuie,
A l'occasion je pique aussi
A la machine
Le travail ne me fait pas peur
Je suis un peu décorateur
Un peu styliste
Mais mon vrai métier c'est la nuit.
Que je l'exerce en travesti :
Je suis artiste
Jai un numéro très spécial
Qui finit en nu intégral
Après strip-tease
Et dans la salle je vois que
Les mâles n'en croient pas leurs yeux.
Je suis un homme, oh !
Comme ils disent
Vers les trois heures du matin
On va manger entre copains
De tous les sexes
Dans un quelconque bar-tabac
Et là on s'en donne à cœur joie
Et sans complexe
On déballe des vérités
Sur des gens qu'on a dans le nez
On les lapide
Mais on fait ça avec humour
Enrobé dans des calembours
Mouillés d'acide
On rencontre des attardés
Qui pour épater leurs tablées
Marchent et ondulent
Singeant ce qu'ils croient être nous
Et se couvrent, les pauvres fous
De ridicule
Ça gesticule et parle fort
Ça joue les divas, les ténors
De la bêtise
Moi les lazzi, les quolibets
Me laissent froid puisque c'est vrai.
Je suis un homme, oh !
Comme ils disent
A l'heure où naît un jour nouveau
Je rentre retrouver mon lot
De solitude
J'ôte mes cils et mes cheveux
Comme un pauvre clown malheureux
De lassitude
Je me couche mais ne dors pas
Je pense à mes amours sans joie
Si dérisoires
A ce garçon beau comme un Dieu
Qui sans rien faire a mis le feu
A ma mémoire
Ma bouche n'osera jamais
Lui avouer mon doux secret
Mon tendre drame
Car l'objet de tous mes tourments
Passe le plus clair de son temps
Au lit des femmes
Nul n'a le droit en vérité
De me blâmer de me juger
Et je précise
Que c'est bien la nature qui
Est seule responsable si
Je suis un homme, oh !
Comme ils disent
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Tori
E agora uma das minhas divas - para a partilhar convosco, magnólicos.
Chama-se TORI AMOS e canta WINTER.
Save the best for last
É a megera de "Betty Feia" que canta esta canção que sempre me encantou.
Deixo-a aqui...
As horas dos dias delas
As horas delas não são iguais às nossas.
O momento de felicidade que Mrs Dalloway sente,
naquele canto nono da sua existência, sabe-lhe à mortalha do poeta suicida que tomba da sua janela, perante os seus olhos viúvos.
Virginia olha-os com piedade - a mesma que ninguém sente por ela.
E a mãe daquele menino, que vai procurar um quarto de hotel para reler as páginas douradas do livro das horas,
molha-se no rio transbordado e nas águas infelizes de um tempo que não lhe quer dar nada, a não ser o mesmo de sempre...
Ainda vamos a tempo de salvar Virgínia das águas...
domingo, 18 de maio de 2008
O poeta assassinado (1957-1995)

EM SINTRA
As águas maravilham-se entre os lábios
e a fala, rápidos
em Sintra espelhos surgem como pássaros,
a luz de que se erguem acontece às águas,
à flor da fala
divide os lábios e a ternura. Da linguagem
rebentam folhas duma cor incómoda, as de que
maravilhado de água surges entre
livros, algum crime, um
menino a dissolver-se ou dele os lábios e ergues
equívoca a luz depois. Rápidos
espelhos então cercam-te explodindo os pássaros.
Luís Miguel Nava
Películas (1979)
In Poesia Completa 1979-1994
Lisboa, Dom Quixote, 2002
Tears in Heaven
O potencial de destruição que esta canção tem para mim,
por causa do motivo que lhe está na origem
é certamente o que a leva a ser uma das minhas canções de culto.
City of Angels - Liberdade versus escravidão
Também eu quero dedicar mais tempo
às coisas que me são realmente importantes.
E tentar trabalhar um pouco menos
num mester que me escraviza...e não me compensa.
sábado, 17 de maio de 2008
Infanta Dona Leonor - porque hoje é 17...

Onde foi encontrar
Uma infanta chamada Leonor?
Onde está ela?
Ela que quer roubar as gargalhadas de Peter Pan
E misturar todas as cores do mundo,
Tenho-a aqui tão perto de mim, perto da Luz maior que vem do Alto, da vela que acendemos por ela, com o seu sopro, com a sua sombra, com o bafo do seu pranto…
Ela que veio trazer a Luz à vida da João e do Pedro, meus irmãos,
Tecida pelas malhas do sangue, da ternura e do coração,
Ela é um pouco de dia, um tanto de noite,
Nascente nos olhos da mãe e nas pupilas do pai…
Ela veste de vento na face,
É pirata de palmo e meio,
Miniatura de gente, mais do que toda a gente junta…
Infanta.
Sem (ainda) navios para tripular.
Sem bússolas.
Com uma ânsia de âncora,
de cambraia no berço, vermelhusco de tanto “esconde-esconde”,
de ternura no prato servido a toda a hora e
de firmeza na ordem dada...
O meu desejo é que o Menino e Senhor Deus a leiam, enfim, como rainha,
Afinal, num mundo de poucas princesas!
Madalena
E eu fiquei a ver navios
Quem com ela se encontrar
Diga lá no alto mar
Que é preciso voltar já
Pra cuidar dos nossos filhos
Pra zombar dos olhos meus
No alto mar a vela acena
Tanto jeito tem de adeus
Tanto adeus de Madalena
É preciso não chorar
Maldizer, não vale a pena
Jesus manda perdoar
A mulher que é Madalena
Madalena foi pro mar
E eu fiquei a ver navios
(Chico Buarque da Holanda)

À minha amiga Madalena, 12 anos depois,
Pelo chá das cinco de hoje,
Pelo Bulhão de outras eras e por tudo aquilo que vivemos juntos noutro mar...
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Liberto as flores da terra e do silêncio







Liberto estas flores da terra
Das campânulas do silêncio
Das secretas lunações
E faço-as subir a estas margens
Onde emerge a palavra
A cor, o coral vivo
Onde lhes dou nome,
Novelos
Jarros
Magnólias
Passifloras
Junquilhos selvagens
Rosas
Orquídeas.
Liberto-as dos pássaros
Das abelhas
Das resinas
Das rochas brancas
E faço-as emergir ao cósmico jardim
Onde se derrama o sangue dos rituais
E se refaz o fulgor de suas vidas.
Homenagem à àrvore genealógica e à jardimzoológica e ainda às outras árvores, aos outros genes e aos outros jardins.










O Pai (meu, que partiu), a mãe, primeiro colo, os filhos e filhas, os tigres das árvores jardimzoológicas (que os filhos(as) adoram), os irmãos e irmãs, a família toda, os amigos e amigas , o onze, o grupo de teatro mágico e imaginário que havemos de tornar real, os amados e amadas, as mãos com que nos tocamos e amamos.
Porque os amamos. Porque, sendo mulheres, o apregoamos aos quatro ventos, todos os dias. Porque não podendo viver sem os homens queremos que eles também sejam capazes de o apregoar.
Porque na minha pequena célula familiar sou uma mulher entre quatro homens.
Porque "viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!" ...
Terminei com três versos do incontornável, Vinicius, nestas coisas do amor.
Cinefilia
Imagens de vidas, pedaços de gente, sorrisos de celulóide.
O paraíso mora aqui... perto de uma máquina de filmar, de um argumento inteligente, de um décor apropriado.
Que entrem as máscaras e os actores, os fazedores de conta.
E que se apaguem as luzes!
Para prazentear mas também para mexer as consciências...
Sofia e Marcello

Acabei, passageiro da noite, de rever "Um dia inesquecível" de Ettore Scola (autor dessa obra-prima chamada "O Terraço").As flores mais bonitas

Feminino plural





Que mulher nunca sonhou
Que mulher nunca jurou
quinta-feira, 15 de maio de 2008
(a propósito) Pai, Tio, Irmão, Sobrinho Whatever




quarta-feira, 14 de maio de 2008
No tempo de outro Maio
Naquele tempo, éramos tantos.Queríamos tudo.
Há quarenta anos, intelectuais de diversos países convulsionaram o Ocidente ao realizar o Ocidente com mais ímpeto que os séculos prévios.


