terça-feira, 11 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
As nuvens também se eclipsam

A cidadela ficou para trás.
Descansei os olhos e a pele.
Mesmo.
Mesmo com a angústia servida ao jantar
e com a incerteza dos (seus) dias um pouco nebulosos.
As minhas raízes subiram ao céu
e molharam as nuvens, minhas irmãs.
Ela foi meu chão.
E eu deixei-me pisar...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A memória dos dias que faltam...

Teste aqui o seu período de longevidade... http://www.ociocriativo.com.br/trivias/pub/teste2.htm>
e a sua memória
Magnólias para vós!
A menina que engomava palavras

Era uma vez uma mulher que engomava palavras.
Sim, leram bem.
Ela passava palavras a ferro. Como? Era simples.
Abria o seu dicionário Cândido Figueiredo na letra pretendida e tirava a palavra para fora, com todo o cuidado. Esta tarefa revelava uma hermeneuta disfarçada de dona de casa. Porque ela passava as palavras a ferro para as esvaziar de polissemias e outras ambiguidades, procurando isolar o signo linguístico para o definir com a máxima clareza.
Ela passava palavras a ferro. Como? Era simples.
Abria o seu dicionário Cândido Figueiredo na letra pretendida e tirava a palavra para fora, com todo o cuidado. Esta tarefa revelava uma hermeneuta disfarçada de dona de casa. Porque ela passava as palavras a ferro para as esvaziar de polissemias e outras ambiguidades, procurando isolar o signo linguístico para o definir com a máxima clareza.
Achava que na vida, as palavras deviam ser muito bem passadas a ferro antes de vestidas. Tinha começado por passar a ferro as palavras verdade, amor, medo, nuvem, gato e chocolate.
A palavra verdade tinha-se tornado invisível, a palavra gato tinha-se eriçado, a palavra chocolate tinha-se derretido e a palavra amor tinha suspirado.
A palavra nuvem tinha-se evaporado e a palavra Deus, inexplicavelmente, não tinha corpo e por isso não a tinha conseguido remover da folha de papel.
Tinha-me esquecido da palavra medo: essa tremia tanto, que o ferro não a conseguiu passar e desistiu.
No momento em que esta história aconteceu, tinha a palavra alegria em cima da tábua. Procurava, pela persistência, algo que apenas se consegue pelo acaso: descobrir o sentido da palavra alegria. Não uma minúscula alegria, disfarçada de paradigma da alegria, mas a alegria inicial e imaculada. Queria estrear a palavra alegria e vesti-la pela primeira vez. O pano que forrava a tábua era um enorme silêncio azul e a palavra alegria estava a dar realmente muito trabalho a engomar. Seria da gola do g, da manga comprida do l ou do remendo do i? Os bolsos dos dois “a” também pediam paciência e atenção.
E depois, tinha de se borrifar a palavra, não com gotas de água, mas com lágrimas.
Quando a começou a passar às avessas, revelou-se a tristeza. Lembrava um vestido de festa, sempre com rugas e memórias imperfeitas das suas anteriores alegrias. As palavras podem revelar-se bem mais teimosas do que um tecido, pois têm pregas acumuladas. Estava perdida nestes pensamentos quando ouviu um insistente toque de campainha. Esqueceu-se do ferro em cima da palavra alegria, enquanto atendia o belo homem que, sem saber, se tinha enganado no andar.
A palavra acabou por se queimar e o calor que devorava as letras iluminou o seu coração. Teve uma pequena epifania no seu quotidiano banal.
Só mais tarde, quando lhe cheirou a queimado, ficou a pensar se conseguiria remendar a alegria ou se a teria perdido para sempre.
(Maria João Freitas)
Ainda a tempo de pescar sereiras, a mais engomada de todas as palavras, com a minha cana de menino...
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
(MAIS) uma magnólia em Agosto

O VISIONÁRIO OU SOM E COR
1
Eu tenho ouvido as sinfonias das plantas.
Eu sou um visionário, um sábio apedrejado,
passo a vida a fazer e a desfazer quimeras,
enquanto o mar produz o monstro azulejado
e Deus, em cima, faz as verdes primaveras.
Sobre o mundo onde estou encontro-me isolado,
e erro como estrangeiro ou homem doutras eras,
talvez por um contrato irónico lavrado
que fiz e já não sei noutras subtis esferas.
A espada da Teoria, o austero Pensamento,
não mataram em mim o antigo sentimento,
embriagam-me o Sol e os cânticos do dia...
E obedecendo ainda a meus velhos amores,
procuro em toda a parte a música das cores,
? e nas tintas da flor achei a Melodia.
2
O vermelho deve ser como o som duma trombeta
(Um cego)
Alucina-me a cor! ? A rosa é como a Lira,
a Lira pelo tempo há muito engrinaldada,
e é já velha a união, a núpcia sagrada,
entre a cor que nos prende e a nota que suspira.
Se a terra, às vezes, brota a flor, que não inspira,
a teatral camélia, a branca enfastiada,
muitas vezes, no ar, perpassa a nota alada
como a perdida cor dalguma flor que expira...
Há plantas ideais de um cântico divino,
irmãs do oboé, gémeas do violino,
há gemidos no azul, gritos no carmesim...
A magnólia é uma harpa etérea e perfumada, e o cacto, a larga flor, vermelha, ensanguentada,
tem notas marciais, soa como um clarim.
in Claridades do Sul
GOMES LEAL
Cascais, 5 da manhã

voei no meu galeão dourado rumo à sétima estrela da via láctea,
procurando em cada casa nona do mistério solar a tua face, a tua cor.
Para que, de novo envolto no calor dos dias que correm,
pudesse ofertar-te uma fatia de lua,
uma réstea de mar,
um gomo de terra virgem...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O melhor Natal

Clique no link abaixo:
www.jornaldoaniversario.com/
www.jornaldoaniversario.com/
PS - Quando aparecer a página do jornal, faça duplo clique para ampliar
Fato ou facto?

Se não concorda com as mudanças que agridem todas as expressões das línguas portuguesas, por favor, registe o seu protesto:
Assine o Abaixo Assinado contra o Acordo Ortográfico:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4802
Vamos criar um grande movimento de repúdio ao Acordo Ortográfico, que nos foi imposto autoritariamente e que empobrece o nosso belíssimo idioma.
Vamos criar um grande movimento de repúdio ao Acordo Ortográfico, que nos foi imposto autoritariamente e que empobrece o nosso belíssimo idioma.
H1N1
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ANTÓNIO LOBO ANTUNES
(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Uma campanha alegre

Era uma vez um marido que sentia ciúmes da sua mulher. (desculpem a banalidade do começo, mas talvez a história ainda vos surpreenda).
Não entendia por que motivo chegava ela a casa todos os fins de tarde com aquele sorriso desenhado no rosto. Poderemos ter ciúmes da solidão ou da tristeza do outro? Talvez sim, mas no caso dele, era da sua alegria e os ciúmes sentidos nasciam da forte suspeita de que ela vivia um outro amor.
Um dia, decidiu acabar com esse tormento e contratou um detective privado. Queria saber a verdade. Ela continuava a chegar atrasada e parecia cada vez mais alegre. Ele estava desconfiado de que ela tinha vidas insuspeitas mas misteriosas.
E tinha mesmo.
Todos os dias sentava-se no mesmo banco do miradouro em frente ao rio, a ler.
O livro estava forrado com uma capa branca. Parecia sempre o mesmo, aos olhos de quem passava. Mas aos seus olhos, era Madame Bovary, Anna Karenina, Orgulho e Preconceito, Os Maias, Por quem os Sinos Dobram, Gabriela, Cravo e Canela, As Mil e Uma Noites, O Conde de Monte Cristo, Em Busca do Tempo Perdido, O Amante, O Monte dos Vendavais, A Sibila ou África Minha.
Estava viciada em fantasia e na alegria de escapar da sua vida monótona. Imaginava-se uma heroína romântica na intensidade de uma vida em segunda mão.
Queria ser Odette, Quina ou Anna, cometer adultério, viver como Maria Eduarda, sentir como Gabriela, vestir-se como Emma ou Catherine, ser seduzida por um amante, chorar no século XIX e rir em Paris, descobrir-se Elizabeth ou Mercedes, ser dona de uma quinta em África ou chamar-se Xerazade, perder-se em palavras e encontrar-se num livro.
Às vezes, nos dias mais longos de Verão, chegava a atrasar-se 43 páginas ou dois capítulos e meio. Justificava-se junto do marido com uma avaria do automóvel ou com uma amiga com problemas no casamento a necessitar de desabafar. Mentia-lhe como se estivesse a ocultar um segredo terrível.
Ao fim de um mês de observação atenta, o detective privado escreveu o seu relatório. A sua mulher passa as tardes inteiras sozinha no banco de um jardim, com a cabeça ligeiramente inclinada e debruçada sobre um livro branco.
Descobrir que os ciúmes são infundados pode ser o motivo de uma enorme alegria, inexplicável para todos os outros seres humanos, pensou o marido, enquanto relia aquelas palavras.
Sem saber que nesse fim de tarde a sua mulher tinha decidido meter conversa no dia seguinte com aquele homem que, visivelmente interessado nela, passava há um mês inteiro as tardes a observá-la como o marido nunca olhara para ela, da primeira à ultima palavra.
Maria João Freitas
Maria João Freitas
* texto originalmente publicado na revista «nós, alegres» do Jornal "i" de 1 de Agosto, a convite do seu editor Pedro Rolo Duarte.
Num mundo que vai a banhos...

E assim se vai fazendo este país de Agosto.
Uma - vazia e petulante - Joana que quer ser notícia, dê por onde der,
um secretário de estado que sonda, não convida,
uma criança que morre a horas incertas, queimada pela quentura que lhe deveria antes aquecer a alma e a infância, perante a passividade de sua mãe...
E lá fora, o ditadorzinho de meia tijela proibe as radio-piratas
e continua a contar com o apoio do povo, esse eterno ingrato e cego...
Quero dar mais um mergulho no mar da minha tranquilidade - aquele que é meu e de mais ninguém -, ao sabor do som da Ella e do James Morrison...
O mar, enfim, a meus pés...
Uma - vazia e petulante - Joana que quer ser notícia, dê por onde der,
um secretário de estado que sonda, não convida,
uma criança que morre a horas incertas, queimada pela quentura que lhe deveria antes aquecer a alma e a infância, perante a passividade de sua mãe...
E lá fora, o ditadorzinho de meia tijela proibe as radio-piratas
e continua a contar com o apoio do povo, esse eterno ingrato e cego...
Quero dar mais um mergulho no mar da minha tranquilidade - aquele que é meu e de mais ninguém -, ao sabor do som da Ella e do James Morrison...
O mar, enfim, a meus pés...
O marasmo, enfim, a tomar conta das mentes,
sábado, 1 de agosto de 2009
Água Crioula

Hei-de cantar este sol este poente
esta terra lavrada pelo mar
este povo que amassa docemente
o pão espesso e escuro. Hei-de cantar
o eco das origens destas rochas
sólidas e puras. Deste chão em forma
de poema onde a nossa luz nascente
é a voz da manhã tépida e morna
hei-de cantar os búzios e as conchas.
Areais
de corpos que se entregam. Acácias carmesim
divinizadas. Que mais
posso cantar?
Talvez o nada que há em mim…
Olinda Beja (S. Tomé e Príncipe) - in Água Crioula
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Quixote e Dulcineia

Herr Alleswisser fez um castelo de livros e, sem mais delongas, instalou-se nele; ponta a ponta, foi lendo a sua casa e, lendo, sentia-se feliz.
Um dia, de tanto ler paredes e pilares, o castelo ruiu; e Herr Alleswisser achou-se soterrado sob a sua cultura e viu-se nu, com fome, com sede, exposto à bruta crueza do Mundo.
Hoje, Herr Alleswisser é um sem abrigo e vive debaixo da ponte Erscheinigungsbrücker, onde passam os carros que seguem para Berlim Oriental.
Só quando confrontado com a vertente prática das ruas que apenas conhecia como ideia nesses livros que lia é que Herr Alleswisser compreendeu que a Literatura, só por si, não constitui a Cultura.
Um dia, de tanto ler paredes e pilares, o castelo ruiu; e Herr Alleswisser achou-se soterrado sob a sua cultura e viu-se nu, com fome, com sede, exposto à bruta crueza do Mundo.
Hoje, Herr Alleswisser é um sem abrigo e vive debaixo da ponte Erscheinigungsbrücker, onde passam os carros que seguem para Berlim Oriental.
Só quando confrontado com a vertente prática das ruas que apenas conhecia como ideia nesses livros que lia é que Herr Alleswisser compreendeu que a Literatura, só por si, não constitui a Cultura.
Que ser culto, implica viver na mesma proporção em que se teoriza, sob pena de o sabor de uma carne ou de um peixe não ser a carne ou a peixe mas apenas uma sensação da saliva que surge à boca ao pensar-se uma iguaria abstracta que não é mais que metáfora.
Ao descobrir isso, Herr Alleswisser obteve o impensável: perdeu tragicamente o seu castelo, para encontrar na condição de sem-abrigo aquela completude que buscava.
Dulcineia, meus Quijotes, está ao virar da esquina, não ao virar da página!
Publicada por Miguel Joao Ferreira in http://persona08.blogspot.com/
Ao descobrir isso, Herr Alleswisser obteve o impensável: perdeu tragicamente o seu castelo, para encontrar na condição de sem-abrigo aquela completude que buscava.
Dulcineia, meus Quijotes, está ao virar da esquina, não ao virar da página!
Publicada por Miguel Joao Ferreira in http://persona08.blogspot.com/
Boas férias e um grande MAR...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Canção de fazer caminho

Queres vir à minha barca?
A transbordar de violetas!
Iremos longe sem nos pesar
aquilo que aqui deixamos.
Sem saudades iremos longe
— seremos duas, seremos três.
Podeis vir, vinde à nossa barca,
a vela alba, o céu aberto.
Todos os braços terão seu remo
— seremos quatro, seremos cinco! —
e os nossos olhos, astros dispersos
os seus limites esquecerão.
Março conduz-nos, a ventania,
as loucas nuvens do coração.
Seremos vinte, ou já quarenta,
a lua será nosso estandarte.
Bruxas de ontem, bruxas do dia,
no alto mar nos acharemos.
Em tudo a vida brotará
como uma dança vegetal.
E sob a pele de onda salgada
seremos quinhentas, seremos mil.
Até que a conta perderemos.
Juntas faremos nossa a noite.
Maria Mercé Marçal (Barcelona)
Trad. de Egito Gonçalves
Quinze poetas catalães, Ed. Limiar, Porto, 1994.
Quinze poetas catalães, Ed. Limiar, Porto, 1994.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Para Ti.

"Talvez as necessidades emocionais mais profundas sejam os tijolos e o cimento com que construímos as nossas ilusões."
Richard Zimler, A Sétima Porta
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Aniversários
domingo, 26 de julho de 2009
17 anos com a C.
Sem dizer uma palavra
Apenas dedicando-te o pássaro louco de fogo que me afaga a alma e a voz
E que me inunda a pele...
Pela pessoa que és, pela ave que me faz voar mesmo sem asas..
Eu não sei onde ir
Para cair em teu caminho
Se é na cidade onde eu nasci
Ou pertinho de mim
Eu não consigo decifrar
O que parece tua voz
E eu quis escutá-la
Mais de uma vez
Um dia ou outro
Mas quando tu estiveres aqui
Este dia ou outro
Eu saberei que és tu
Entre tantas outras
Mesmo sem dizer uma palavra
Sem dizer uma palavra
Eu não sei o que tocar
Para cair em teus dedos
Melhor ainda, pode acontecer colocarmos
Nossas mãos no mesmo lugar
Eu não sei onde buscar
Mas eu compreendo, às vezes
que eu teria que observar diante de mim
Eu saberei que és tu
Entre tantas outras
Mesmo sem dizer uma palavra
Sem dizer uma palavra
Do P.
Apenas dedicando-te o pássaro louco de fogo que me afaga a alma e a voz
E que me inunda a pele...
Pela pessoa que és, pela ave que me faz voar mesmo sem asas..
Eu não sei onde ir
Para cair em teu caminho
Se é na cidade onde eu nasci
Ou pertinho de mim
Eu não consigo decifrar
O que parece tua voz
E eu quis escutá-la
Mais de uma vez
Um dia ou outro
Mas quando tu estiveres aqui
Este dia ou outro
Eu saberei que és tu
Entre tantas outras
Mesmo sem dizer uma palavra
Sem dizer uma palavra
Eu não sei o que tocar
Para cair em teus dedos
Melhor ainda, pode acontecer colocarmos
Nossas mãos no mesmo lugar
Eu não sei onde buscar
Mas eu compreendo, às vezes
que eu teria que observar diante de mim
Eu saberei que és tu
Entre tantas outras
Mesmo sem dizer uma palavra
Sem dizer uma palavra
Do P.
Pré-campanha

NA CAPITAL
"Quem manda aqui?"
perguntei
Responderam:
"O povo, é claro"
Eu disse:
"É claro, o povo,
mas quem
manda de facto?"
Erich Fried
(Áustria, 1921-1988)
"Quem manda aqui?"
perguntei
Responderam:
"O povo, é claro"
Eu disse:
"É claro, o povo,
mas quem
manda de facto?"
Erich Fried
(Áustria, 1921-1988)
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