sexta-feira, 24 de junho de 2011

Masculino singular




Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo

Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra


[ Ramos Rosa ]

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Masculino plural




O primeiro me chegou
Como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia,
Trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio;
Me chamava de rainha.
Me encontrou tão desarmada,
Que tocou meu coração,
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse "não".

O segundo me chegou
Como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta;
Me chamava de perdida.
Me encontrou tão desarmada,
Que arranhou meu coração,
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse "não".

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher.
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito posseiro
Dentro do meu coração.

A casa está só, a sós

Do livro infantil "A Casa Grande - Manifesto de Cidadania" com textos de João Manuel Ribeiro
 
"Na Casa Grande cada um só está só quando precisa de estar assim.
Quando alguém diz: “Preciso de estar só”, isso não significa que se sinta abandonado ou rejeitado, mas apenas que necessita de olhar-se por dentro e a partir de dentro.
Estar só é estar a sós.
No resto do tempo há sempre uma presença invisível que faz com que cada um se sinta presente ao outro de modo admirável."

(...)

Não tenho braços suficientes para conseguir suportar o teu peso, que me é tão leve...
Amo. E só por isso sou perdoado!

Uma paixão de Isabel (ao som de Allende)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Filial




Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada

daquilo que disseste quando os meus seios começaram

a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,

murcharam tão depressa as rosas que me deram –

se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu

deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.



Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão

cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,

só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais

que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos

os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,

deitei-me com mais homens do que aqueles que amei

e o que amei de verdade nunca acordou comigo.



Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre

caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.

Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez

não chames pelo meu nome, não me peças que fique –

as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me

embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue

de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como

uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.



Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem

nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta

hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.

Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas

essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre

o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias

foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão

tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam

virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.



Maria Rosário Pedreira in O Canto do Vento nos Ciprestes

terça-feira, 21 de junho de 2011

Nova estação

Bom dia, pequenino Verão. Por favor, não me faças suar muito, ok?

domingo, 19 de junho de 2011

Mulher com vista sobre a cidade

Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.

Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua. 

Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes. 

Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.

Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.

Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.

Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue. 

Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.

As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.

Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.

Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo. 

E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.

De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras. 

Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo. 

E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.

                             Herberto Helder

sábado, 18 de junho de 2011

Mestrados

Ana foi renovar a sua carta de condução. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão.


Ela hesitou, sem saber bem como se classificar

-"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.

-" Claro que tenho um trabalho", exclamou Ana. -"Sou mãe".

-"Nós não consideramos 'mãe' um trabalho. Vou colocar Dona de casa", disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até ao dia em que me encontrei em situação idêntica...

A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

-"Qual é a sua ocupação?" Perguntou.

Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:

-"Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas. "

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar e olhou-me como quem diz que não ouviu bem...

Eu repeti pausadamente,enfatizando as palavras mais significativas.

Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

Posso perguntar", disse-me ela com novo interesse, "o que faz exactamente?"

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:

-"Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa).
Sou responsável por uma equipa (a minha família) e já recebi quatro projectos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24 horas). 
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou e pessoalmente foi abrir-me a porta.

Quando cheguei a casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipa: - uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.

Do andar de cima, pude ouvir o meu mais recente projecto (um bebé de seis meses), a testar uma nova tonalidade de voz.

Senti-me triunfante.

Maternidade... que carreira gloriosa!
Assim, as avós deviam ser chamadas "Doutora-Sénior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas ".

As bisavós: "Doutora- Executiva-Sénior".

E as tias: "Doutora - Assistente".

De volta

Depois de uma avaria incómoda, eis-me de volta à flor do deserto.
Estou triste.
Porque a minha casa - a outra - sangra.
Porque alguém quer acabar com ela.
Porque há desígnios escondidos e maléficos por trás das máscaras dos meliantes do templo.
Eles - os de dentro - não são demónios nem algozes.
erram, por vezes.
E um erro na vida não significa uma vida de erros...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Saltimbancos




Acenderam a luz dentro da casa

E as árvores tomaram vida humana.



Passado o muro, para além dos campos,

Ressoou o tambor dos saltimbancos.



Corpo de escamas como o de um peixe

Nas águas da noite cheias de correntes



Tem dois búzios do mar sobre os ouvidos,

Ouve, só para si, uma canção.





Sophia

tudo renasce





Apesar das ruínas e da morte,

Onde sempre acabou cada ilusão,

A força dos meus sonhos é tão forte,

Que de tudo renasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias.




Sophia

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Erros


A confusão a fraude os erros cometidos


A transparência perdida — o grito

Que não conseguiu atravessar o opaco

O limiar e o linear perdidos



Deverá tudo passar a ser passado

Como projecto falhado e abandonado

Como papel que se atira ao cesto

Como abismo fracasso não esperança

Ou poderemos enfrentar e superar

Recomeçar a partir da página em branco

Como escrita de poema obstinado?



Sophia

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Privilégios



"É dever do homem justo fazer guerra a todos os privilégios não merecidos, mas não se pode esquecer que esta é uma guerra sem fim. Onde existir um poder exercido por poucos, ou por um só, contra os muitos, o privilégio nasce e prolifera, mesmo até contra a vontade do próprio poder; mas é normal que o poder, pelo contrário, o tolere e encoraje."


Os que sucumbem e os que se salvam

Primo Levi

Na janela da frente



Deixo-vos um rosto esculpido na janela da frente.
Até voltar.
das aves.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

MEIAS VERDADES

"A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só conseguia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam. Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta. Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia os seus fogos. Era dividida em duas metades diferentes uma da outra.Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era perfeitamente bela. E era preciso optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia."

Carlos Drummond de Andrade. A Verdade Dividida.




O dia depois do amanhã



Vai valer a pena acordar num país novo, sem o fantasma do defunto, sem a marca de um homem cinzento, implacável, vendedor de ilusões, malabarista das verdades.
Não sei o que aí vem.
Só sei que eu não queria ir por aí...

domingo, 5 de junho de 2011

A árvore da (nossa) vida

Se há coisa que "Tree of Life" explicita é, por um lado, um efeito de intimidação que Malick e os seus filmes são capazes de produzir - do estilo: se estamos perante algo de tão fora da normalidade, a nossa relação com isso só pode ser...extraordinária; por outro, que o cinema de Malick parece ter criado a sua liturgia e aí cristalizado, e nesse sentido "Árvore da Vida" é uma autocelebração. 
Nesta nova missa os rituais são os mesmos, a câmara faz tangentes a vultos que não chegam a ser personagens (Sean Penn não chega a ser actor), e apesar das várias vozes não há contracampo. 
Só ele fala. 
Malick? 
Deus? 
UM FILME DE OUTRO MUNDO.
MAS MUITO NOSSO.
Porque sei que não houve um só momento na nossa História em que Deus se tenha sentido realmente à vontade!

É Domingo - até quando?

Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio algremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.
Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.
 

António Gedeão, Novos Poemas Póstumos, 1990(in Poesia Completa, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 2a. Ed., 1997, p. 188).
*

sábado, 4 de junho de 2011

O mundo a meus pés

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Num casal, há sempre um que é o guardião da solidão do outro. (Rilke)


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Lista negra



O primeiro impulso (a que talvez ceda) é publicar, tantos anos depois, uma lista daquilo e de quem não gosto. Por variadíssimas razões. Creio que qualquer um entende que não se goste de Perdidos na Tribo e de Prós e Contras...hehehehe



Tudo farinha que sai do mesmo saco mas vai cair a mós diferentes (sabem o que são mós certo?).

Olhem, qual negro corvo, aqui vai uma lista de coisas/gente/existências que me deixam fora de mim. Não gosto:



1. de plásticos a envolver cd e dvd


2. da Catarina Furtado a torcer-se toda (tipo boa) em qualquer programa...desde galas a programas com putos...e a falar tipo "Olhem bem...SOU EU"


3.da Não sei quantas Marta..que apresenta uma imbecilidade aos fins de semana...(Top Mais?) Leite Castro? alguém que já conheceu muito ...pronto...um programa à altura dela


4. do Sócrates...a qualquer hora


5. do Passos Coelho a dar o dito por não dito


6.do João Adelino Faria, sobretudo depois do casamento do guilherme de Gales, e o homem sempre a falar do "beijo real"...que parolo..e que horrivel surpresa


7.da new Judite de Sousa


8. da new Fatima Campos Ferreira


9.das 3 TV´s e do desrespeito que teimam em ter por nós todos


10. do serviço cabo...abaixo de cão a maior parte do tempo.


11.dos programas da manhã da rtp, tvi e sic


12. dos programas da tarde da rtp, tvi e sic


13.da mediocridade que nos impingem, como se fossemos assim


14. da Bárbara (boca torta) Guimarães a encher tudo onde se mete como se ela fosse o programa.


15. do Daniel Oliveira (não o do eixo do mal) e seus programas de trivialidades, feitos como se estivesse a atingir o cume do Evereste.


16.do inefável J. Castelo Branco (que pessoa perturbada).


17. da incompreensivel Manuela Moura Guedes (que pessoa complicada).


18. das Júlias, Leonores, Jorges, Cristinas, Sónias, Manueis, Helderes (será assim?), e quejandos que enchem as tv´s e ajudam à estupidificação completa.


19. de quem inventou a nova forma do ESC


20. de ....qualquer dia...nós


Fiquem bem e mandem brasa. who care´s ?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Em campanha

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sol ou grade?

Hoje sinto-me assim...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Caos (requiem para a palmada?)

A ver: a palmada pedagógica é aquela palmada que sacode o pó do rabiosque dos filhos malcriados, aquela que lhes assenta que nem uma luva quando decidem querer tudo no supermercado e (ai meu Deus, como isto me irrita) desatar a guinchar se não lhe fazem a vontade, aquela que se dá depois de se ter explicado com calma que a comida não se atira para o chão e que há meninos que passam fome e a criancinha decide contribuir para a definição de abdominais dos pais e espalhar esparguete ou arroz ou carne ou peixe ou o que seja pelo chão da casa, é aquela que serve para mostrar que aos mais velhos não se levanta a voz, já se avisou, é também aquela que aparece como recurso à décima asneira cabeluda, depois de todo um tratado de psicologia debitado nas primeiras nove. A palmada pedagógica não espanca, não marca fisicamente, não traumatiza. A palmada pedagógica é um "põe-te fino" que deve soar como campainha e ajudar na hora da indecisão entre o disparate e o bom comportamento. Às vezes, a palmada pedagógica pode nem ser uma palmada, mas dormir sem história, não ver o filme de animação que se quer naquele dia e, no caso dos mais crescidos, não sair e ficar mesmo a estudar. A palmada pedagógica não faz milagres, que não faz. E admiro quem educa os filhos sem palmadas pedagógicas. Não sou especialmente mal educada (acho eu) e apanhei uma única vez na vida. Estava apaixonada pelo Apolo da novela e decidi, ao almoço, comer sopa distraída, depois de a minha mãe me ter avisado vezes sem conta. Quando acabei, tinha metade do prato da sopa no vestido e aulas à tarde. A mãe disse que eu podia escolher: ou ia assim para a escola, ou apanhava uma palmada. Eu respondi: "Podes bater, mas tira-me isto!". Foi uma sacudidela de moscas. Não doeu. Mas assinalou. E não me lembro de repetir a gracinha. O meu irmão apanhou umas quantas palmadas pedagógicas, mas tinha uns pulmões para guinchar como reconheço a poucos miúdos e uma vez mordeu um colega no braço. Além disso, gostava de ver as meias sair pela frente dos sapatos, pelo que não descansava enquanto não os rompesse à frente, recorrendo a pontapés a tudo para alcançar o seu objectivo. Ah... e até aos quatro anos não comia carne ou peixe (vomitava tudo) e só admitia fruta passada. Era tramado, o puto. Ora, a palmada pedagógica, no meu modesto entender, não faz mal nenhum a ninguém. Bem pelo contrário. Pode não resolver tudo, mas acredito que ajude alguma coisa. Quando vejo o vídeo ali em cima, pergunto-me se esta gente terá levado a palmada pedagógica. Concedo, também podem ter levado porrada de meia noite e ficado assim por isso, mas não acho tão provável. Admito como mais fiável a hipótese do "ao Deus dará", o "deixa andar" e a irritantezinha mania que o menino se traumatiza por dá cá aquela palha. Quando andava na escola, os pais dos miúdos diziam às professoras "Se ele precisar, dê-lhe uma palmada!". Hoje, em casa, devem avisar os filhos que, mesmo que a professora não precise, podem aliviar os stress fazendo-lhe a vida num inferno!. É isto que queremos?! É assim que achamos que a coisa melhora?! São estas pessoas que pretendemos ter a conviver connosco?! Gente sem rédea, sem noção de limite, sem preparação para repudiar o mal. Miúdos que cospem no chão, não dão lugar aos idosos, berram e levantam a mão a quem os contrarie, garotas que bebem como homens grandes e dizem asneiras como se o Mundo estivesse para acabar e lhes tivessem encomendado um chorrilho de insultos?! É disto que precisamos?! Há tempos, ouvimos a história deprimente do "dá-me o telemóvel, já", em que a fulana gritava, histérica, com a professora que, atentem bem na exigência, não queria que se mexesse no telemóvel durante as aulas. Depois, vários outros episódios. Agora, isto. Não sou favorável ao abaixamento da imputabilidade penal, nem tão pouco entendo que a Lei Tutelar Educativa tenha de ser profundamente alterada. Isto não é uma questão de direito. É uma questão de civismo, de educação, de formação para a cidadania. Não se resolve por decreto ou com detenções. Isto resolve-se, se é que se resolve, porque às vezes duvido, com palmadas pedagógicas. Dadas cedo, que toda a gente sabe que "burro velho não aprende"!

ASSINA a minha amiga R. do blogue Por aqui passei eu.

O visionário de Deus

Antonio Gaudí nasceu no dia 25/06/1852, provavelmente na casa identificada com o número 4 da rua de San Vicente, da cidade de Reus, província de Tarragona. Assim afirma J. F. Ràfols, primeiro biógrafo de Gaudí no início de seu livro publicado em 1929.
Muitos anos depois surgiu a hipótese do nascimento em 'mas de la Calderera', de propriedade do pai de Gaudí, em Riudoms. O único documento oficial existente de 1852 é a certidão de batismo da igreja de San Pedro de Reus, que não menciona o local do nascimento. Somente constava a informação que a criança era de fora da cidade. Por escrito, Gaudí sempre disse ser filho de Reus.
Seu pai, Francisco Gaudí Serra, de Riudoms, era um artesão, natural de Calderera, batedor de cobre, e sua mãe, Antonia Cornet Bertran, de Reus, era também de uma família original de Calderera. Deram a Gaudí os nomes de Antón, Plácido e Guillermo, em homenagem à sua mãe, ao seu padrinho e ao santo do dia, respectivamente.
No dia 10/09/1853 foi crismado também em São Pedro de Reus. Frequentou, quando adolescente, a escola do professor Francisco Berenguer de Reus, e entre 1863 e 1868 cursou a escola média nos Padres Escolapios. Juntamente com seus colegas de escola, participou como cenógrafo principiante na montagem de peças teatrais. Fez suas primeiras tentativas jornalísticas ilustrando, com gravuras, uma revista manuscrita de doze exemplares de tiragem, intitulada “El Arlequín”.
Em 1869, com grande sacrifício, Francisco Gaudí enviou a Barcelona seus filhos Francisco e Antonio para estudarem medicina, o primeiro, e arquitetura, o segundo. Francisco, que nasceu em 1851, graduou-se em 1873, mas faleceu três anos mais tarde.
Entre 1869 e 1873, Gaudí fez os cursos preparatórios no Instituto e na Faculdade de Ciências, já que somente em 1871 foi estabelecida em Barcelona a Escola Provincial de Arquitetura. Existia até então apenas uma modesta Escola de Mestres de obras nos sótãos da Casa Lonja de Mar. Em 1870, junto com dois amigos, visitou o mosteiro de Santa María de Poblet em ruínas, imaginando complexas maneiras de reutilização dos edifícios monacais.
Em Barcelona, Gaudí não conhecia ninguém e como precisava ajudar seu pai no pagamento dos seus próprios estudos, tratou de procurar trabalho entre arquitetos durante os anos de sua formação. A relação com José Fontserè Domènech, o primeiro arquiteto municipal, e seus filhos José e Eduardo, ambos Mestres de obras, permitiu-lhe iniciar o contato com alguns profissionais. Trabalhou para Fontserè nos projetos do parque da Ciudadela e o mercado del Borne.
Enquanto isso, continuava seus estudos de arquitetura na Escola que se encontrava, desde 1874, no segundo andar da nova Universidade na Gran Via, com boas notas. Apesar das afirmações de que foi um mau estudante, ele somente repetiu quatro matérias em toda a sua formação. Permaneceu mais tempo do que o normal na Escola por causa do trabalho de projetista, que exerceu simultaneamente com os estudos e com o serviço militar que iniciou em julho de 1874.
Alguma coisa sobre a sua vida privada se conhece através de uma agenda manuscrita de seus tempos de estudante; mas muito pouco, porque Gaudí não gostava de escrever. Em toda sua vida, só viu uma matéria jornalística sua publicada, em 1881. Em 08/09/1876 sua mãe faleceu, um mês depois de seu filho Francisco. Isto afetou muito a Gaudí...
Em 04/01/1878 foi aprovado nos exames finais e em 15 de março recebia o título de arquiteto. Antes já havia preparado diversos projetos para a Cooperativa Mataronesa de Don Salvador Pagès, que queria que seus operários chegassem a ser donos da fábrica, em uma tentativa socialmente avançada para aqueles tempos.
Gaudí, oriundo da revolucionária cidade de Reus, conheceu pessoas, que agora seriam consideradas como progressistas, e se interessou pelos problemas da classe operária. Diversos autores tentaram atribuir-lhe uma juventude anticlerical e anarquista, mas testemunho de companheiros de estudos desmentem essa possibilidade.
Depois de diversos projetos menores, recebeu a encomenda de projetar uma vitrine para a loja de luvas de Esteban Comella. A vitrine, de bronze, madeira e vidro foi exposta no pavilhão espanhol da Exposição Universal de Paris, de 1878. A obra fascinou a Don Eusebio Güell Bacigalupi, o rico e culto homem de negócios que se fez apresentar ao jovem arquiteto com o qual iniciou uma relação profissional e de amizade que durou quarenta anos, até a morte de Güell, em 1918.
A produção arquitetônica de Gaudí é, em grande parte, dedicada a Güell, em sua villa de Les Corts, seu palácio, sua colônia operária e seu parque, trabalhos que fez simultaneamente com a Sagrada Família, sua obra-prima.
Morreu atropelado por um eléctrico na cidade que amou.

Basílica da Sagrada Família

Esta é uma das provas de que DEUS existe.
Em Barcelona.
No Mundo inteiro.
Pela mão de um arquitecto-poeta - Anton GAUDI!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gaudi a meus pés

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Oh Lord...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Limites

Esta cerca, esta porta para o ilimitado,
e porquê?
Herdámos as cercas, os cadeados, os
muros, as prisões.
Herdámos os limites. E porquê?
Porque não rejeitámos na hora de nascer o que nos concediam e o que não abarcávamos?
É que tínhamos que estar de acordo antes de ser.
Depois de ser e saber
aprende-se a cercar e a fechar.
A nossa mesquinha contribuição para o mundo é um mundo mais estreito.

O mar, Pablo Neruda

A preto e branco

Muitas vezes nem sequer de cor conhecemos as nossas grades...

Os degraus


Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.

Não subas aos sótãos - onde

Os deuses, por trás das suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco este nosso mundo...


Mario Quintana


sábado, 14 de maio de 2011

Sombras na casa grande

Porque quem não viu a sombra não conhece, em verdade, a luz.

Na casa grande da vida de todos nós também...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Elsa

Para a Elsinha, hoje gaivota, com todo o meu amor de amigo...
Fico a ver-te cá de baixo, ok?

A nódoa

Caiu uma nódoa na Magnólia.
O sistema - dito blogger - comeu alguns posts e comentários. E não os repôs.
INDECENTE!!!!!!!
Para que conste, não fui eu a fazer censura, ok?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Matinal (epílogo)


Partir em busca do Mundo feito de granito e de maçãs pardacentas e rubras, próprias de quem por amor se alimenta...
Não queiras o vinho que corre a rodos pela tua garganta suave, ama antes o discernimento e o medo que continuas a sentir nessa manhã que, sabes, não ser a última...
Aflige-te, Agosto, mas não fujas da cruz de te sentires!

Perfeito



Porque o dia mais perfeito é aquele em que encontro gente imperfeita prestes a encantar a minha própria imperfeição, a caminho de uma desejada perfeição...

terça-feira, 10 de maio de 2011

vaGA AZul

Vaga, no Azul Amplo Solta
Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

sábado, 7 de maio de 2011

Crescer Ser

“Nós imaginamos um mundo onde todas as Crianças têm reconhecidos e garantidos todos os seus Direitos…”

Venho, em nome de todas as Crianças e Jovens acolhidos, convidá-lo a participar na Gala de Dança, que se irá realizar no Casino do Estoril, no Salão Preto e Prata , a 24 de Maio às 21h30m, com a participação das melhores companhias de bailado de Dança Contemporânea.

A CrescerSer depara-se com graves dificuldades financeiras, que podem vir a colocar em causa a continuação da sua - nossa - missão em prol dos direitos das crianças e jovens.

Contamos consigo e com a sua generosidade para continuar a nossa Missão.

Contamos consigo!

Contribua com 15 Sorrisos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Canção



Se é para ti,

sou o ovo de cotovia à beira do caminho.

Se é para outro qualquer,

sou o pequeno pássaro que dorme numa ilha longínqua.


Canção de Madagáscar.

Versão: Herberto Helder.

As casas das Callas

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Relógio Budista


roubado a MJF em «A namorada de Wittgenstein»

O tempo é sempre o hoje...

Luminária

Na varanda do teu alpendre, perto da porta mais rubra da tua alma.,
quero acender a minha luz...
Por favor, não me apagues...

domingo, 1 de maio de 2011

Maternal




Uma mãe é aquela pessoa que ao ver que só ficam quatro bocados de bolo de chocolate tendo cinco pessoas à mesa, é a primeira a dizer que nunca gostou de chocolate

Um beijo eterno e terno à mãe L.

O pai das neves

Porque Ele está junto Dele e olha por nós...