sexta-feira, 30 de julho de 2010

Os meus melhores Agostos







quinta-feira, 29 de julho de 2010

Frase de bar

Aos nossos amigos, aos novos, aos velhos e aos mais usados...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os corpos do delito


Pintou ele a sua medida no corpo dela
e ela pereceu de gozo e nudez pelas grades dele,
no verão de todos os perigos,
na escarpa negra do desejo...


No penedo da nossa saudade

A espera dos dias agoniza-me...
Mesmo que seja enfeitada por buganvílias de matizes várias, de cor anil e de coração nobre...

M.R.P.

Para onde voam as aves, mãe?
Diz-me com a urgência das tardes...

Sem exagero...


Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar."

De "O Canto do Vento nos Ciprestes"
Maria do Rosário Pedreira

terça-feira, 27 de julho de 2010

O Exagero


Não fiquei em paz com o meu último post.
Sem dúvida teatral e radical mas, sem dúvida também, uma tontice. Convenhamos que a comparação estabelecida entre Isilda Pegado e Hitler é um exagero e de um mau gosto atroz. Reconheço isso.

As minhas desculpas a Isilda Pegado e seus fans.

Nunca devemos criticar desta maneira. Fácil mas horrorosa. Mea Culpa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Para Isilda Pegado..alguem igual



Que julga que conquistou o mundo com as suas incongruências e devaneios.
Que gente mais falsa. Preferem mortes no vão da escada que sucessos na urgência de um hospital. E preferem que os primos e amigos se chamem apenas isso...amigos e não cônjuges...esta dama não existe...custa-me a aceitar o seu rosto como uma realidade.
O simbolo da intolerância, do preconceito, do constrangimento social, da tontice e da religiosidade elevada a escudo de ignorância (eu acho que o Vaticano já a a perdoou)

domingo, 25 de julho de 2010

A idade maior

Rio de Moinhos (Sátão) - Casa Xavier

Capela de Nossa Senhora das Preces - eram 16:20 da tarde mais linda de todas as tardes


Quando ganhei coragem liguei
Quando chegou carta abri
Quando criei asas voei
Quando te vi... me apaixonei!

Parabéns C. (e a mim) pelos nossos 18 anos solidários...
Fazia calor.
Muito.
E aqueci-me na tua lareira e no teu colo...
Tendo o Nosso Deus por testemunha... até hoje!

terça-feira, 20 de julho de 2010

O silêncio da R.


O silêncio é, definitivamente, das melhores coisas que pode haver. Também pode ser das piores, mas essa sua faceta está mais batida. Do que vos falo é de como o silêncio pode ser a melhor companhia de uma pessoa. Acredito que nem todos apreciem o som do nada, mas... paciência. Falo do som do nada interrompido por uma onda que rebenta, um vento norte e um preguiçar muito lento de quem não está para nada. Dias desse apetecer são dias bem diferentes dos dias de pensar na vida. Quando me ponho a pensar na vida, normalmente fico em casa, sozinha, sentada no chão ou no sofá, com as pernas à chinês. E depois falo alto, para ouvir as minhas próprias conclusões e ver se assim, faladas, repetidas, audíveis, fazem sentido. Às vezes, chego a escrever, a decompor em tópicos os must dos dias, meses ou anos vindouros. E, nos balanços, choro muito e rio muito. Mas sozinha. E em casa. Sossegada. Houve noites em que decidi dançar e dancei. Outras em que decidi acabar com a embalagem de gelado do congelador e... acabei (quando me empenho numa tarefa, sou assim!). Lembro-me de já me ter enroscado numa manta, à varanda, com um café forte e quente a fumegar de uma chávena e um cd de instrumental a soar. As letras não me deixam pensar na vida. Distraio-me. Tenho pena, mas acontece. Isto tudo... para pensar na vida. Coisa toda muito diversa de querer silêncio. Nada mais que isso. Pensar na vida faz barulho. Ideias a buzinarem e a ultrapassarem-se umas às outras dentro da cabeça. O silêncio não se dá com essas andanças. Quer-se só. Numa calmaria que só dá gozo a meia dúzia. E a mim... que há dias em que não há nadinha melhor que não pensar em nada.


Lido no blogue «Por aqui passei eu».


R., põe-te boa, ok?
E não canses as aves do teu silêncio...
Gosto muito de te ler. De te sentir aqui ao lado, como vizinha de ondas bloguistas, numa cantilena de menina mulher, serena e inquieta, rebelde e loquaz...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cantos à tona da água




Num recanto onde as lágrimas de Inês de Castro se misturaram com a ira de Pedro, seu amado, ouviu-se um canto dolente, na hora parda da noite.

Beethoven, Mahler, Strauss, Offenbach e Verdi uniram as mãos e viajaram até Coimbra.
Foi ontem. Parece que foi hoje.
Parece que foi sempre assim...


Dedico este post à M.C., a mais competente das cantantes (nós somos assim com os amigos)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Toda a nudez será castigada?



A Suíça pôs ontem fim à recente saga legal de Roman Polanski, recusando extraditá-lo para os Estados Unidos, onde foi condenado em 1978 por "relações sexuais ilegais" com uma menor de 13 anos. Polanski "é agora um homem livre", depois de ter estado quase dez meses sob prisão domiciliária no seu chalet nos Alpes suíços.
A decisão põe um ponto final no mais recente - e dramático - desenvolvimento de um caso com mais de 30 anos. Polanski tinha sido detido em Setembro do ano passado em Zurique, ao abrigo de um mandado de captura internacional emitido em 2005. Foi depois colocado sob detenção domiciliária, enquanto as autoridades suíças avaliavam o pedido de extradição dos EUA, que querem que cumpra pena por uma acusação de 1978.
Prescreveu ou não a culpa alheia?
E os filmes que fez são relevantes circunstâncias atenuantes?
Vou hoje ver o O ESCRITOR FANTASMA, enquanto reflicto...

O tempo, esse maldito escultor



Mesmo que o esquadro e os pincéis não sejam meus...

Bilhete

Não conheço auroras celestes,
nem praias de águas felizes...

Nos arredores do poente


Nos arredores do poente,
vi a nascente do dia novo que tresandava a velho,
antes mesmo do quarto minguante
da tarde mais tardia daquelas que eu vivi,
após o lusco-fusco da áurea crescente da brisa quente
que entornou as minhas primaveras,
derramando-as em charcos de inverno e sombra,
junto à raiz quadrada do meu outono...
Foi aí - perto do espanto -
que decidi comprar um relógio que só dá uma hora,
que anda à medida dos meus passos,
que não me troca os dias pelas noites,
nem os junquilhos por madressilvas
e que me torna sempre menino

Caminhos de luz e sombra


Pela mão segura das mães

descobrem-se, por caminhos de luz, outros futuros.
Sem medos das sombras das teias de sonhos maus

que pairam muito, muito longe ...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Epílogo (como pesam as palavras)


(...)
Nunca me venhas visitar.
Não me atormentes mais. Peço-te.

Mas, se a tua maldade
adormecer o teu amor
e te empurrar a vires um dia
perguntar se está alguém em casa
e eu não te responder,
é sinal
que ainda levo um lenço aos olhos.


Jorge Aguiar Oliveira,

in Homens Sem Soutien - Poesia, 1983-1999, Edição do Autor, Julho de 2002.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mala sorte




Dobrei a tristeza
E arrumei-a lá bem no fundo
Mesmo ao lado
Das ilusões. Das desilusões. E das agruras da vida
Meti-as na mala
Para que não me esquecesse
Do mal que me fizeram...
Fui buscar também os sonhos
Que ainda me restavam
E arrumei-os na bolsa de fora
Para estarem mais à mão
No acaso de se virem a realizar
Mera fantasia...
Ainda havia muito espaço
Na minha mala de viagem
Por isso
Também lá meti as saudades
Que me chegaram
Com o vazio deixado
Por alguém muito querido
Só faltava a esperança
Que tinha perdido algures
Entre o sonho e a realidade
Mas que me apareceu de novo
Assim como que por magia...
Quando já não a esperava
Arrumei-a com cuidado
Para que não se amarrotasse
Juntei as promessas todas
E misturei-as com as mentiras
Que me ofereceram um dia
Meti tudo no mesmo saco
Que não meti na mala...
Deitei-o fora!
Sentado na paragem deserta
E enquanto espero pelo autocarro
Que tarda...
Faço contas à vida
Do que já passou
E do resto
Daquele que ainda me falta...
Somo tudo
E já é menos de
metade...

O café da lista dos sonhos


Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?
(Oswaldo Montenegro)