sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
BALANÇO DE UM ANO DE MURMÚRIOS
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
ODE MATERNAL
ODE MATERNAL
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
O poder do cão - pó, cinzas e ternuras
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
De cor
sei de cor a cor que me queres dar
a alvorada que teima em anoitecer no meu canto
a água feliz com que visto as minhas vestes,
de homem em busca da cor do teu espanto...
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
The new ABBA (imortais)
https://www.youtube.com/watch?v=hWGWFa3jznI&list=RDhWGWFa3jznI&start_radio=1
sábado, 19 de junho de 2021
O vento foi um pássaro
O vento foi um pássaro e fugiu para fora de si mesmo quando os homens o quiseram capturar. Deixou de ter corpo, fez ninho nas nuvens e viaja com elas para pousar quando se cansa. É por isso que o vento canta.
Mia Couto
terça-feira, 18 de maio de 2021
Um licor da Dinamarca
quarta-feira, 12 de maio de 2021
O último poema de um PAI
sábado, 1 de maio de 2021
Diz-me a verdade...
Conta-se que o dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou o escritor na rua e lhe pediu:
Sr.Bilac, estou precisando vender o meu sítio, aquele que o senhor conhece tão bem. Poderia redigir um anúncio para o jornal?
Olavo Bilac, muito solícito, apanhou um papel e escreveu:
"Vende-se
encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no
extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um
ribeirão.
A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda".
Meses depois, o poeta topa com o homem e pergunta-lhe se havia conseguido vender o sítio.
Nem pensei mais nisso, disse o amigo.
Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!
domingo, 25 de abril de 2021
Romanceiro
Romanceiro
*
Sou louco por letras.
Amanso a minha ira com os ditongos de Tolstoi.
Mastigo pós de brilhar com as histórias de Allan Poe.
Durmo ao som dos sonhos de Mia.
Rasgo a minha cólera com as fúrias de Agustina.
E embarco pelas ruas de Zafon, à hora certa dos relógios de Praga.
Baralho os tempos e as esquinas de Agatha.
Adiciono a espuma dos meus dias à turbulência de Faulkner
e vejo as sombras de Vian
no ombro esquivo de Yourcenar.
Quando Pessoa me tirou o sono
as letras molharam-se
por não saberem, afinal,
quem dos seus mil rostos falava assim.
As notas de rodapé embriagaram-me
com a água pé de Proust
e a amêndoa amarga de Cervantes,
o dos insanos moinhos em saga atroz.
As tramas matam os estilos.
Os poemas sabem a prosa.
As linhas cortam as frases
E o teu piano namora a minha voz.
Li.
E nunca mais fiquei só.
(PG), 2021
terça-feira, 20 de abril de 2021
Boa noite, tristeza
sábado, 17 de abril de 2021
Bruscamente em Janeiro passado...
É a hora das cotovias.
E dos segr
edos.
Esta doença mata.
Mesmo.
Matou o meu colega de Curso António.
Matou uma minha vizinha de metros.
Matou mil e um desconhecidos que nunca pensaram que uma gripe pudesse ser assim letal.
Por causa dela andamos há uma no e pico a respirar por máscaras de pano por toda a face, andamos a afogar-nos em todos os tactos com soluções de álcool, andamos a descansar os apertos das mãos que já não se dão.
A madrugada é anunciada por números negros.
Chegou a peste aos solavancos nesta paleta de vendavais e de dias de sol como o de hoje onde, aparentemente, nada poderá ser doentio.
Sentem-se os toques das medusas, das andrómedas e dos morcegos e já não se cantam as avé-marias, porque as bocas estão presas por outras luvas e porque os mortos são levados à terra sem hinos ou elegias
Dizem que a final vai tudo ficar bem, que as andorinhas vão regressar de locais inauditos onde aprenderam a canção das primaveras, um nome mais próprio para os próximos verões malditos
Já não sei da minha rua, já só sei da janela do meu quarto onde os dias fogem às noites e as noites se molham de dia
Quando chegou a moléstia, nada deixaria adivinhar o que por aí vinha – a própria Saúde andava confusa com tanta comunicação contraditória e indecisa.
Mas chegou por um ano de dois vintes, onde nada foi igual ao passado e onde até se duvidava do futuro.
Por muito cuidados tidos, o vírus chegou a casa de muita gente.
Também à minha, num Janeiro doloroso.
Só me pegou a mim.
Ao de leve.
Quase como uma gripe frágil e escondida.
Mas temi por mim e pelos meus.
Desesperei enquanto não soube que a minha mãe, doente de risco, estava escalada para a vacina, protestei, lutei…
Cumpri as quarentenas, retemperei o fôlego de novos ânimos, espantei a angústia e a melancolia e fui salvo pelo Cinema e pela boa TV.
São sempre as Streisand e os Bogart que me salvam, não há nada a fazer.
Webinei às toneladas, desesperei com tantos microfones, ansiei por mil olhos presenciais e não só digitais e continuei sempre a trabalhar pela formação de magistrados em Portugal, tantas vezes à distância, mas sempre com o coração certo e a porta dele sempre aberta.
E temo ainda por tudo aquilo que por aí ainda virá.
Que mundo é este que entrego nas mãos dos meus amados 13 sobrinhos, ao sabor de uma partícula ínfima como o pó e que nos é capaz de matar?
Que esperar da impaciência de tanta gente que, confinada há meses, grita por uma réstia de ar livre, mesmo que sob a ameaça de uma coima?
Inconsciências vi muitas, sobretudo nas esplanadas da Praça da República nesta Coimbra.
Intolerâncias senti muitas, entre aqueles que teimam em teimar e em negar o óbvio – o bicho mata, sem apelo nem agravo, e não nos pergunta nem faz em nós o contraditório.
Ufano, como se cumprisse uma promessa, uma espécie de adeus, hoje levanto o alçapão do meu medo e grito bem alto, para lá das quarentenas:
- a falta que me fazem os meus!
*
Cuidem-se.
Não ouçam os loucos que se pensam sãos e que incitam as gentes ao impensável e ao insano.
Não temam o que a Ciência tem para nos oferecer.
Os riscos são tão mais elevados.
Que o diga o António.
Que o diga o Daniel.
Que o diga a Maria de Sousa.
Que o diga o meu Luís Sepúlveda.
Que o diga a Maria José Valério
Que o dia a Cecília de Guimarães.
Que o dia a Adelaide João.
Que o dia a cidadã x da minha rua de baixo.
Que o digam os 16 937 cidadãos portugueses que já morreram sem hinos, salmos ou dignas exéquias.
Sobrevivi a isto.
Está - quase – tudo na nossa mão.
Meu caro Daniel Sampaio, long life, e fico à espera de o ler…
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Diz-me a verdade a mentir












