terça-feira, 15 de abril de 2008

Sapos e Magnólias


A pergunta impunha-se desde o início deste blog.
Já sabem que este é o filme da minha vida.
A questão que vos coloco, magnólicos (e não só), é só esta:
Porquê sapos a cairem do céu na economia do filme do Paul Thomas Anderson?
Aguardo respostas.
Palpites.
Interpretações da obra de arte.

17 comentários:

Passiflora Maré disse...

César, como em qualquer veredícto devemos todos saber o exacto significado da palavra mais importante e definidora de todo o processo, como o juíz és tu, não seria bom sabermos o que para ti significa "sapo"?
Oportunamente me debrucarei sobre o fundo da questão.

Armando S. Sousa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Armando S. Sousa disse...

A chuva de sapos, que deviam ser rãs, é uma referência ao livro bíblico do Êxodus, e a passagem 8:2que diz: “Aarão estendeu a mão sobre as águas do Egipto, e fez subir rãs que infestaram todo o território egípcio”.
Porquê sapos a cairem do céu na economia do filme do Paul Thomas Anderson?
Para mim, a chuva de sapos, é uma metáfora, com a qual o realizador pretende explicar que o drama dos personagens e os seus destinos, não é uma obra do acaso, mas sim, criado através da interferência divina.

Um abraço.

César Paulo Salema disse...

Não devo dizer.
Rãs ou sapos, o que significam para ti no filme?

Anónimo disse...

Poderia significar o anúncio de acontecimentos felizes, pois vindo do paraíso cada sapo seria um mensageiro;c'est un scène complètement surréaliste.... (A magnolia nao é semelhante a uma estrela?)

(Para mim, a traduçao de sapo é mais bonita em "la grenouille").
F.

Anónimo disse...

Tombam pois é o acaso que nos move. Não o desígnio divino. É a surpresa, o inesperado, o impossível...

Passiflora Maré disse...

Porquê sapos a cairem do Céu na economia do filme Magnólia?
No filme constata-se, em determinada altura, que após a queda dos sapos cai a arma do homem mais recto e justo de todos os persnoagens. Homem tão recto e justo que essa perda da arma era para si uma tragédia, uma perda de amor próprio e capaz de, na perspectiva dele, gerar o desrespeito social.
Sendo assim o que significa a queda da arma? Um hino à sua rectidão e sentido de justiça, à sua capacidade de amar sem limtes, nem condições.
Por contraposição, a queda dos sapos é uma mensagem absolutamente imponderável que pretende fazer os homens pensar sobre as verdadeiras loucuras em que voluntariamente transformaram as suas vidas, desrespeitando-se a si e aos outros, mesmo aos mais amados.
Notemos que falecido o motor da loucura, o EARL, os sapos acabam a sua queda, e o realizador dá-nos esperança de que os outros personagens, que gravitavam na sua esfera de influência, passem doravante a viver com alguma paz.

Guilherme Salem disse...

Se falasse desses sapos...

Passiflora Maré disse...

Dormi sobe o assunto e hoje tenho algo mais a dizer sobre a questão posta.
"Não tenham medo de confundir os anjos com as crianças".
E eu digo não tenham medo de confundir os mortos sujos, injustos, desleais, porcos, com os sapos.
Deus livrou-se, através da mão de um anjo, o Rapper, e com a arma de um homem anjo, o Polícia, de todos os sapos que entretanto tinham subido ao Céu.
São tudo aproximações à crítica de uma obra extremamente original e profunda, que eu vi ontem pela priemira vez, para o efeito de responder ao César

Passiflora Maré disse...

Entretanto mais um palpite. Já defini o que para mim os sapos simbolizam.
Mas talvea avance agora outra ideia sobre a sua origem.
Naquele dia confluiram dois fenómenos atmosféricos, primeiro a chuva torrencial, que como todos sabemos faz os sapos sairem dos seus esconderijos. E acabada a chuva, veio uma noite de vento forte.
Ora, esse vento forte pode ser o motor que traz os sapos pelo ar e, portanto, estes serem obra de um inesperado, raro e inusual fenómeno.
Certo certo, é que nunca saberemos se mesmo com uma explicação inusual, mas científicamente possível do fenómeno, não existe qualquer intervenção superior.
Por outro lado, é interessante verificar que todos os personagens reagem à fealdade do acontecimento revendo-se ou revendo as suas vidas nele, dando indicações que a partir daí talvez as mudem.

Passiflora Maré disse...

E por fim, todos os factos têm uma ligação uns com os outros, ou são meras coincidências?

Anónimo disse...

O filme é fabuloso. Realmente o Paul Thomas Anderson sabe trabalhar as suas personagens com tamanha intensidade e cuidado prende nossa atenção do início ao fim. Eu adorei a história e acho que as interpretações de Tom Cruise e Juliane Moore são as melhores. A chuva de sapos como sinônimo de uma praga que chega pra transformar tudo depois é simplesmente surreal. É uma linguagem do Paul. Simplesmente demais, sem contar a trilha sonora que é perfeita."

Anónimo disse...

É complicado fazer uma crítica de um filme como este. "Magnólia" é daqueles filmes tipo ame-o ou deixe-o, não há meio-termo entre as opiniões. Vi muita gente saindo da sala no meio da sessão e vi também muita gente dizendo que tinha achado o filme uma droga quando ele chegou ao fim. Só que eu tive a opinião exatamente oposta: adorei "Magnólia"!
Fiquei uns 90% do filme literalmente de queixo caído, embasbacado com o que via na tela. Principalmente pelo modo como o filme foi conduzido por Paul Thomas Anderson. A movimentação das câmeras, os cortes exatos, a narrativa fragmentada e ao mesmo tempo contínua (vários fatos de várias pessoas são contadas aos poucos, mas o filme é bem linear), as atuações (todos muito bem), o filme em apenas raros momentos deixou o ritmo cair (mais especificamente entre a canção "Wise Up", cantada por todos os personagens, e a famosa chuva do filme). Mas é um filme que não tem grande apelo junto ao público, pois como um dos personagens define, é "uma história longa sem um climax". E é verdade, você assiste ao filme, os fatos acontecem, mas não há um grande momento em "Magnólia". Há sim várias cenas antológicas (a chuva de sapos, a sequência do suicídio logo no início do filme, a entrevista de Tom Cruise, só pra citar alguns exemplos), bem espalhadas ao longo de todo o filme, mas quem espera ver um filme seguindo a linha "normal" do cinema americano, vai se decepcionar profundamente. "Magnólia" segue um estilo de cinema experimental não em seu formato, mas no modo como a trama é contada. E foi exatamente isto que achei fascinante no filme.
Outro destaque do filme é o elenco. Todos muitíssimo bem, em especial John C. Reilly (o policial) e Melora Walters, a garota que faz Claudia. Tom Cruise está bem, mereceu até ser indicado, mas não acho que merecesse o Oscar. Achei Haley Joel Osment e Michael Caine melhores que ele. Outro que está bem em cena é o Phillip Seymour Hoffman.
Mas o filme tem alguns defeitos. Apesar de longo, ele consegue manter o ritmo quase sempre, caindo um pouco no pedaço já citado por mim anteriormente. Creio também que todas as cenas envolvendo o personagem de William H. Macy poderiam ser cortadas do filme. Não porque o elenco esteja mau, mas porque é a única história que não se entrelaça com as demais, ela fica meio a parte do que acontece com os demais personagens. Sem esta história o filme diminuiria um pouco (uns 15 ou 20 minutos, creio) e teria melhor fluidez. Mas, no geral, o filme é ótimo!

Anónimo disse...

Poucas vezes podemos aprender com um filme. "Magnólia" é um bom exemplo disso. Conciliar várias histórias e situações diferentes, com personagens de personalidades diferentes e fazer como todos tenham um elo entre si. Por mais longo que seja, quem assistiu e captou tudo o que passou na tela, soube aprender um pouco mais do dia de hoje. Dizer que o filme conta com atuações brilhantes é chover no molhado. O melhor de tudo no filme é o realismo com que o drama é tratado. É simplesmente o dia a dia das pessoas. É o que pode estar acontecendo com você, e também com o seu vizinho, ou algo assim. Simplesmente magnífico. Para coroar o grande final, veio a chuva de sapos, que se eu não me engano, foi inspirada em um livro cujo eu nao lembro o nome e autor, que dizia: "A saúde da sociedade é medida pela saúde de seus sapos!". É um filme para quem realmente entende e sente cinema!

César Paulo Salema disse...

A chuva de sapos.

Esse é o principal momento do filme.
Varias cenas indicavam que isso iria acontecer, por exemplo: quantas vezes o numero 82 foi mostrado no filme?
Várias.
Por exemplo: A caixa postal do Jim Curring, número do avião no começo, o arame enfarpado.
Mas o é que esse 8 2 quer dizer?
O Armando esteve lá.
Numa cena no programa de TV, há um velho na plateia que levanta um cartaz (Exodo 8 2).
A citação foi aqui trazida pelo Armando.
O que mais me incomoda é que todos acharam que aquela chuva era algo normal, algo do dia a dia. Excepto o enfermeiro do produtor, que diz algo como: "Oh, há sapos caindo do céu!"

Tem sido fascinante ler-vos...

Ágata disse...

Eles não acharam normal..acomudaram-se, aceitaram...como diz a musica que todos cantam, que todos sentem e seguem

Dóris Hess disse...

César, sempre digo que Magnólia é um filme marcante, não sei se O filme de minha vida, mas com certeza, muito marcante... excelente.

Quanto aos sapos, acho que simbolizam o desligar-se das amarguras do passado, libertando as amarras da alma... e caminhar prá frente, libertando-se de um destino que poderia não ser tão divino.

Mas confesso que preciso olhar de novo... Eu assisti o filme no ano de seu lançamento, e vale a pena assisti-lo novamente.

Parabéns pelo blog, agradável leitura.

Abraços de uma brasileira, grande César.