sábado, 19 de julho de 2008

Os homens que passam, minha mãe...



Os homens que passam, minha mãe,
são os pintores perdidos nas cores que não escolheram,
são os poetas errantes, imersos nos poemas que não escreveram,
são os adúlteros infames plenos do vazio dos leitos alheios,
são os vagabundos sem chama vazios do pleno do nada em que a sua vida se tornou,
são os sonhadores inocentes rotos pela miséria das quimeras do ouro dos outros,
são as sombras do pai que eu não conheci,
E que só tu sabes decifrar...

Qual deles, minha mãe?
Qual deles?
O pintor que errou o poema?
O poeta que encheu os teus sonhos?
o vagabundo dos poemas imperfeitos?
O sonhador que nunca chegou a passar?

Quero a certeza do incerto,
a raíz feita caule, feita dor,
porque um dos homens que passa, minha mãe,
será tudo aquilo que tu quiseres que um dia eu venha a sentir por ele...

1 comentário:

Maria do Carmo Cruz disse...

César, lamento, mas creio que está a pedir o impossível. Seja marido ou amante (o supra-sumo é juntarmos os dois em um) são, em algum momento da nossa vida de mulheres (creio poder afirmá-lo em nome da maioria) tudo isso: poetas, piratas, sonhadores, adúlteros, pintores e milhares de outras coisas mais prosaicas. Pela sua poesia, e se essa é uma pergunta a sério, arrisco-me a dizer-lhe que predominaram em si os genes de um Poeta. Serve-lhe a resposta? Eu queeu podeia, de certeza, ser sua Mãe, desde que você tenha mais de 30 anos... Um abraço da Avó Pirueta.
PS. Por favor, diga à Passiflora, pois julgo que foi ela que mostrou interesse em ter um contacto pessoal meu, que o meu telélé é o 917208033