terça-feira, 30 de dezembro de 2008

As ondas do mar por conta própria


Tinha o vento contra a cara e as nuvens e as ondas do mar por conta própria. Sofria muito de amores e não havia amor que durasse que não magoasse. Jurava-me que um dia viria a não ser eu, sem saber o que dizia , sem antecipar a ilusão. Para me vingar de quem não gostava de mim, em primeiro lugar da minha mãe. E agora a dor de ser quem já não se queria, ultrapassada a irremediável distância que vai do desejo ao seu fim, sem mais nada poder adivinhar. Saudades de mim. De quem nunca fui.
Eu não queria. Eu nunca quis. Minto. Eu quis quando não sabia o que queria.

Pedro Paixão
Saudades de mim de Quase Gosto da Vida que Tenho

4 comentários:

AugustoMaio disse...

Além do texto do PP, que fica bem em qualquer parte do ano (e portanto no seu inventário)congratulo-me com a luz que brilha na espuma. Talvez os anos não passem, talvez seja apenas um passo a seguir ao outro, um minuto ou nem tanto.
En-fim, desejo o melhor que a vista abrança assim que olhe o mar pintado de sol e, nomeadamente, em 2009.

Passiflora Maré disse...

Obrigada Augusto. Retribuo os desejos, a luz e o abraço do mar pintado de sol, no ano que se aproxima.

César Paulo Salema disse...

Obrigado, caro maio, augusto amigo.
E que 2009 nos mereça!

C (en) disse...

E então, usando esta plataforma maravilhosa que nos acompanhou durante este 2008 ( nada íntima para estas coisas, mas quase "obscenamente" irresistível), desejo a todos - queridos tratadores CPS,PM e GS -, queridos amigos - F.S. e meninos e D.- e comentadores habituais, um ANO de 2009 feliz, cheio de luz e que sempre haja esperança de encontrar o amor.

Bjs.

C(EN)