quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Salgada dolência.


Em tuas veias de rosa
de cândida maturidade
quero derramar o meu encanto
quero fluir no meu outono
Na tua nudez de piscina
dourada e marinha
com minúsculas sombras de melancolia
beberei a tua noite azul
e repousarei a salgada dolência
na firmeza macia dos teus róseos músculos
já não serei o fumo de uma sombra
mas um sopro de estrelas
desfalecendo no moroso júbilo
da minha sombra inteiramente aberta
cheia da nítida substância de um páramo terrestre
em dois vasos num só vaso de lucidez ardente.

de Meditações Metapoéticas, António Ramos Rosa e Robert Bréchon, Ed. Caminho, 2003