domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pueril


Onde estão elas?
Elas que queriam roubar as gargalhadas de Peter Pan
E misturar as cores no “graffitti” mais corrosivo da cidade...
Elas são um pouco de dia, um tanto de noite,
Que buscam, qual nascente, o poente nos olhos dos pais, nas pupilas do Mundo,

Conheço-as de perto, tão longe de tudo...
São muitas. Nossas. Vossas.
Vestem de luz e dor e algumas cicatrizes
Defronte das águas felizes
Com que se querem limpar das agruras da vida,
A mais indecente de todas as obsessões...
Infantes.
Sem navios para tripular. Sem bússolas.
Com uma ânsia de âncora,
de vento na face, vermelhusca de tanto “esconde-esconde”,
de ternura no prato, servido a toda a hora,
de firmeza na ordem dada...

São contrabandistas de afecto,
Piratas de palmo e meio,
Sem bilhete de identidade vitalício,
Vítimas dos olhos vendados por quem os não quer ver

Sofrem.
Sussurram lamentos.
Lutam.
Semeiam tempestades no canto da noite e
Pontapeiam as esquinas das cidades.

Elas são miniaturas de gente
À procura de uma história maiúscula
Que os leia, enfim, como reis,
Afinal, num mundo de poucos príncipes

2 comentários:

Carmo disse...

Não... não sabemos muitas vezes adivinhar-lhes o sofrimento e os desejos... os risos nervosos e os pontapés de dor baralham-nos...
e procuramos saber... mas sempre na ignorância, na impotência de não estarmos no seu lugar...

onde às vezes já estivemos mas só ao de leve, onde passamos de raspão por esse sofrimento...

por isso será sempre uma prepotência pensar que chegamos perto do que sentirão...por isso apenas podemos imaginar, mas nunca saber...
quando lhes inventamos soluções,casas, famílias que nunca poderemos saber se vão funcionar...

Afinal como também não sabíamos se o nosso futuro ía funcionar...

mas a responsabilidade, a nossa, é imensa, porque não nasce do acaso... mas do dever...
e o peso ficará sempre ... se não funcionar a segunda, a terceira, a quarta oportunidade...

a dor, a deles (e a nossa) não vai passar... por isso têm que ser tratados com um cuidado extremo, com uma atenção e saber... com uma sensibilidade especial... com um afecto que só tem quem pode e não quem quer... tem que vir de dentro como me diz alguém especial e que já viveu entre eles... dando esse afecto sem ser por decreto...

Não, não é para todos... é até só mesmo para alguns... para os que os Sentem assim...

Carmo

Anónimo disse...

Todas as crianças deveriam ter uma cama fofinha para dormir, conseguir sonhar...e de manhã ao acordarem a sorrir..

Beijinhos. Eu tento ajudar vocês sabem meus queridos amiguinhos!!!!

Por vezes só me pedem colo
( as lágrimas já correm)
Tenho nome de Flor