segunda-feira, 14 de março de 2011

Investigação de paternidade


Os homens que passam, minha mãe,
são os pintores perdidos nas cores que não escolheram,
são os poetas errantes, imersos nos poemas que não escreveram,
são os adúlteros infames plenos do vazio dos leitos alheios,
são os vagabundos sem chama vazios do pleno do nada em que a sua vida se tornou,
são os sonhadores inocentes rotos pela miséria das quimeras do ouro dos outros,
são as sombras do pai que eu não conheci,
E que só tu sabes decifrar...

Qual deles, minha mãe?
Qual deles?
O pintor que errou o poema?
O poeta que encheu os teus sonhos?
o vagabundo dos poemas imperfeitos?
O sonhador que nunca chegou a passar?

Quero a certeza do incerto,
a raiz feita caule, feita dor,
porque um dos homens que passa, minha mãe,
será tudo aquilo que tu quiseres que um dia eu venha a sentir por ele...

6 comentários:

Anónimo disse...

Não me lembro da minha Mãe brincar comigo! Quem fazia isso eram os meus irmãos e o meu Pai, que sempre me deu muito" colo". Aquele "Colo" era um trono de Princesa. Sentia-me tão protegida naquelas mãos firmes, ternas, bem cuidadas e tão fortes! Durante muito tempo só era aquele amor, o que eu conhecia e, era tão grande que parecia não ter medida!
Penso que o meu Pai foi a pessoa que mais me amou talvez porque dedicou o resto da sua vida a MIM.
Quando eu nasci o meu Pai tinha 50 anos!

Pai, onde quer que esteja saiba que todos os dias penso em si! e, que foi um privilégio de ter sido sua filha....

Todas as crianças deviam sentir este amor...

Tenho nome de Flor

Anónimo disse...

P. desculpe fugi ao post mas hoje senti uma vontade imensa de falar de MIM.

Desculpem!

Tenho nome de Flor

César Paulo Salema disse...

nunca foge. está sempre cá...

Carmo disse...

Neste blog parece que estão sempre a vir de encontro ao que sinto...
e eu que resisto à espiritualidade...

um abraço e desjos que o pai de P. esteja melhor
Carmo

César Paulo Salema disse...

Obg C. Vai melhorando dentro do estado em que vai estando há 4 anos, vítima de AVC...

Carmo disse...

Sabe... só agora vi a sua resposta e nem a consigo comentar
Compreendo-o mais do que pode imaginar
Muita muita solidariedade...
Admiro a sua capacidade de dar neste blog com a tristeza que de certeza tantas vezes o deve invadir.
Agradeço esta partilha e desculpe se fui intrusiva. Nunca é essa a minha intenção que nos relate factos, só quero que saiba que estou (estamos) consigo
Abraço
Carmo