terça-feira, 27 de maio de 2008
Embriaga-te (Sem cessar).
Devemos andar sempe bêbados.
Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os
ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.
Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas
duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a
embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à
onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo
o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que
fala, pergunta-lhes que horas são.
"São horas de te embriagares!"
Para não seres como os escravos martirizados do Tempo,
Embriaga-te, embriaga-te sem cessar!
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.
Charles Baudelaire
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6 comentários:
Subscrevo. Sem cessar.
Ou apaixona-te... por alguém, por ti e pela vida...
Há uma aura de estrelas e sonho que nos inunda e nos impede de deixar de avançar... porque tudo parece possível, mais fácil, mais leve, mais nosso só porque queremos e queremos com todo o coração...
Somos heróis de nós mesmos...
Mas... vai na volta e... não será isso embriagar-nos?! De um doce e quente desejo de SER e ESTAR?!
Se calhar é... e o poeta já tinha pensado nesta hipótese :)
Bonita exortação, mas penso que cada vez mais impraticável, neste "ram ram" que nos martiriza e que ( esse sim!) nos embriaga, deixando-nos embotados, num "coma" de entorpecimento de rotina opiácea... ( hoje´é um daqueles dias negativos...).
Gostei muito desta "exortação", que não conhecia.
Bj.
C.(EN)
Ah... e a propósito, depois de um melhor "olhar", a foto do nú é lindérrima....mas com tantas amarras...( é a tal rotina, a entorpecer...).
Bj.
C (EN)
É fácil falar, também segundo Baudelaire, sobre a embriaguez, especialmente, quando se está a falar do "vinho (tinto), da poesia e da virtude", aos quais eu, acrescentaria, o AMOR.
O Baudelaire, tinha/tem razão, são cruamente deliciosos, de uma maneira metáfórica e são os problemas diários, excepto, que o Baudelaire, (como uma criança de bem, que o Freud acharia bizarro) o parêntises é meu,, gozou a vida à fartazana.
Um beijo.
É elegante e esbelta a figura do nú! A exortação é belíssima, contudo dificil de pôr em pratica. Vivemos embriagados com a nossa rotina e não conseguimos libertarmo-nos dessa embriaguês..
Bj
Obrigada por nos dar a conhecer esta exortação.
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