terça-feira, 6 de maio de 2008

A minha primeira biblioteca - a biblioteca Itinerante nº 25 da Gulbenkian

A biblioteca.






As obras.
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No fim dos anos sessenta comecei a frequentar a minha primeira biblioteca. A biblioteca itinerante nº 25 da Gulbenkian, que se fazia transportar numa carrinha igual à da primeira foto.
O ritual da espera pela biblioteca é ao mesmo tempo uma das mais saudosas e doridas recordações da minha infância e pré-adolescência.
O ritual da espera tinha para mim grandes emoções.
Viria o Sr. Grisalho bem ou mal disposto?
Deixar-me-ia ele levar os livros que eu queria ler?
Reconhecer-me-ia ele como a que podia levar sempre o número máximo de livros?
Estaria ele com disposição, como de outras vezes, de me ajudar a escolher os meus livros?
De me educar o gosto?
Ect.etc.
As obras lidas, foram as que ficaram expostas, e outras, como:
O corsário Negro, de Emílio Salgari. O Sandokan, do mesmo autor. A colecção dos Sete e dos Cinco, da Enyd Blyton.
As gémeas em Santa Clara. As mulherzinhas. O colégio das Quatro Torres.
As obras preferidas as que ficaram com capa fotografada e "A Maravilhosa Viagem de Nïls Holgerson através da Suécia" de Selma Lagerlöf.
Li muitas outras, mas não recordo.
Bem haja a quem teve a bendita ideia destas bibliotecas itinerantes.
Sem elas talvez não fosse a mulher que sou hoje.
*
Desafio os comentaristas e os co-autores deste blogue a virem aqui relatar as suas experiências de leitura ou de biblioteca, dessa época.

23 comentários:

Armando S. Sousa disse...

Para mim é difícil comentar, pois praticamente li os mesmo livros e ao mesmo tempo, mas tenho a certeza que não li as mulherzinhas, nem as gémeas em Santa Clara.

O quanto eu gostava dos livros da Enyd Blyton!

Falta aí dessa época, as aventuras de Tom Sawyer, e as Huckleberry Finn, mais o Flecha Negra e ainda o Oliver Twist, e muitos outros.

Lembras-te dos cadernos em que apontávamos os livros que lia-mos?

Tenho pena de se terem perdido, estes cadernos.

Nisto tudo, o que mais me impressiona, é ainda te lembrares do nº da biblioteca itenerante. Este nº 25 estava completamente barrido da minha memória.

Obrigado pelos recuerdos, e um beijo.

Armando S. Sousa disse...

A edição do Oliver Twist, se não estou em erro, tinha o título, Oliveiros Twist.

Passiflora Maré disse...

Obrigada Armando. O post, também era um desafio para ti.
Um Bj.

Armando S. Sousa disse...

Como é lógico, varrido, em vez de barrido.

Passiflora Maré disse...

Eu tenho esssa edição do livro Oliveiros Twist de Carles Dickens, numa edição de 1910 de Editores Lemos & Cª, Succ.or.
Começa assim:
I
Do logar onde nasceu Oliveiros Twist, e das circumstancias que acompanharam o seu nascimento.

César Paulo Salema disse...

Querida PM:
Tudo isso li também pois somos da mesma geração (eu era o David dos CINCO e o meu mano o JÚLIO).
Alguns da Condessa de Ségur, do Júlio Verne, os celebérrimos livros da Anita, a colecção "A aventura ..." da Enid Blyton também (do Gordo ou Frederico Justiniano, lembram-se?), a menina do mar da nossa Sophia, as minhas primeiras Enciclopédias da VERBO INFANTIL,as bandas desenhadas do TINTIM e do ASTÉRIX, do Ric Hochet, do Michel Vaillant, a Tempestade no Oeste, os Contos de Grimm, as Fábulas de La Fontaine...

César Paulo Salema disse...

e , o melhor dos melhores, "CORAÇÃO" de Edmundo de Amicis. Conhecem? Tenho comprado aos meus mil e um sobrinhos.
Marcou-me para a vida...

Passiflora Maré disse...

Recordaste-me mais meia dúzia deles. mas vou esperar pelo Gui e pelos outros, senão o que deixaremos para eles brilharem.
Por outro lado, o Gui é muito bem capaz de desancar já em meia dúzia das nossas leituras. lol

R. disse...

Meus:
Os da Formiguinha assim que aprendi a ler;
Todos os de histórias infantis do género Capuchinho, Branca de Neve, Gato das Botas, Hansel e Gretel, o Patinho Feio, Polegarzinho, Tocador de Flauta de Hamelin...
A colecção toda das Histórias Alegres da Colibri;
O incontornável Principezinho;
Anita... tenho todos... Actualizei até há bem pouco tempo...
Um aventura, os cinco, os sete, os imbatíveis, viagens no tempo;
Condessa de Ségur (Contos de fadas e Memórias de um burro, à cabeça);
Sophia: o primeiro foi a Menina do Mar... mas depois vieram quase todos os outros (adorei a árvore);
Alice Vieira... pricipalmente A lua não está à venda;
O Meu pé de laranja lima... chorei!
Sobrei da história dos meus pais...
José do telhado...
Eu queria usar calças...
Prometida...
E o inesqucível para as meninas da minha geração "A lua de Joana"...
Mais adiante... todos, todinhos os do Daniel Sampaio... E o Mundo da Droga e mais não sei quantos do género...
Depois outros... muitos outros... Até hoje... embora sinta o peso de ler cada vez mais de direito e menos de vida e sonho!

Anónimo disse...

Bem, poderei ser uma das crianças e jovens que ali estão junto da "carrinha" da Biblioteca da GulbenKian ( aliás, o meu primeiro exercício neste post foi observar uma a uma para ver se me "via"... seria uma delícia).
Também frequentei uma biblioteca destas e é daquelas coisas de que ainda sinto o "cheiro" e consigo visulizar e viver todo o ritual que era para mim a espera da "carrinha", a entrada na mesma, o deleite da observação de "tantos livros", a escolha, o carinho de os levar, cúmplice, para casa..
Enfim, autêntico e real serviço público, cívico e ético .
E também as minhas fantasias e sonhos de criança adolescente, foram povoadas pelas mesmas "personagens" e autores ( afinal, a geração é a mesma, realmente).Lembro-me apenas de outros dois, não citados, mas certamente lidos : Sem Família, do Hector MaloT e a (inefável) Heidi da Johanna Spyire ( não sei se se escreve assim, o Spyire).
Tenho a noção ( sem estudo sociológico que a sustente, é claro ) que fomos uma geração dada á "leitura".

Bj.
C.(EN)

Anónimo disse...

Ah...nessa altura também lia muitos Tios Patinhas,Patos Donalds, Huguinhos, Zézinhos, Luisinhos, Margaridas, Patas Magnólias (???)...

C. (EN)

Anónimo disse...

E Magas Patalógicas too...

Anabela Magalhães disse...

Que bom passar por aqui e notar tantas leituras comuns. Pois, no nosso tempo não havia muito mais para matar o tempo de Verão. E como nós o matámos bem.
Qualquer dia pego outra vez nestes velhos conhecidos.

Passiflora Maré disse...

Bem, foi giro. Obrigada a todos.
Só a Eva Negra partilhou comigo o milagre da biblioteca itinerante. Os outros as leituras.
Tive pena de o Gui não ter vindo.
Bj

Passiflora Maré disse...

Ó Armando esquci-me de ti. Também partilhaste a biblioteca itinerante. Aliás a mesma, mas isso era óbvio, dada a fraternidade e a idade de ambos.

Anónimo disse...

Também partilhei P.M.
A minha era a n.º 22 e lembro-me bem do meu entusiamo e do meu irmão quando ela chegava (via-se da janela, mas ainda se demorava uns 5-10 minutos a pé a chegar lá, quando não havia uma bicicleta por perto) e ía com o devido cartãozinho trocar de livros.
As leituras eram também as mesmas (o que não será de espantar...).
Sublinho que "O Meu Pé de Laranja Lima" é o único livro em que, até hoje, chorei mesmo, que li várias vezes o "Coração" (ofereceram-me no Natal de 1971) e que nos "cinco" era a "Zé" (sem dúvida).
Beijos
F.S.

Passiflora Maré disse...

F.S. afinal já somos três os que partilhamos as bibliotecas itinerantes. gande alegria. Grande algazarra!!
Bjs

Guilherme Salem disse...

Querida D. não desanco em ninguém à conta dos livros. E, EU brilho quando quero (só a ti para eu dizer esta baboseira)...falem em quantos livros quiserem...eu, embora recorrente nos autores que aqui anuncio ( e não andam vocês sempre a cansar o Roth ?), tenho uma biblioteca (itinerante e fixa) imensa....não preciso de a partilhar inteiramente. Patinhas, Donald, Cinco, Sete, a Blyton toda, os Disney (em versão brasileira) tudo isso encheu a minha infância ( não o Kafka nem o Eça...esses apareceram na adolescência)... Um Bjo D. Gui

Guilherme Salem disse...

E por falar em algazarra Maré....espero igual algazarra (não só sobre livros, salvo seja, faz anos que não nos vemos cara a cara todos nós ou quase todos),no week end já falado.Bjo. Gui

Passiflora Maré disse...

Também eu espero algazarra e "palestras" pela noite dentro.
Bjs

Guilherme Salem disse...

Ora ssim se fala minha amiga. espero o mesmo. Bjs.

Anónimo disse...

Bem haja quem teve a bendita ideia das bibliotecas itinerantes e bem haja quem delas tirou proveito. A ti (PM) felicito-te em particular. Posso testemunhar as horas sem fim que dedicaste à leitura e por isso hoje és uma "Grande Mulher". Continua que vais "Crescer ainda mais".
Bj.
TI...A

Passiflora Maré disse...

obrigada Ti...A.
Bj