domingo, 20 de julho de 2008

O vaso chinês


Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas.
Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada da torrente até a casa, enquanto aquele rachado chegava meio vazio.
Por longo tempo, tuod permaneceu assim, com a senhora a chegar a casa com somente um vaso e meio de água.
Naturalmente, o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.
Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso disse à senhora durante o caminho:

'Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa...'
A velhinha sorriu:
'Você reparou que lindas flores existem somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todo o dia, enquanto a gente voltava, tu as regavas.
Por dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa".

E o violino tocou.
Mesmo sem cordas.
Mesmo com defeito.

3 comentários:

Maria do Carmo Cruz disse...

Conhece um livro chamado "Vaso de Argila", de Leo Trese? É um diário real, de um padre. O vaso de argila é ele e mostra rachas na imagem da capa. Mas quando leio o livro oiço, de vez em quando, violinos. Talvez não seja o seu estilo, é da editora Quadrante, de S. Paulo, mas fui buscá-lo para o reler quando li a sua parábola moderna.
Ab. Avó Pirueta

César Paulo Salema disse...

Nâo conheço, Dona Avó Pirueta.
Terei, se calhar, idade para ser seu neto (apesar de ter uma minha bem viva, a caminho de uns frecsos 90 anos)e admiro a sua fluência e a sua cultura.
Terei alma de poeta. Obrigado,se pretende que tal seja um elogio.
Seja bem vinda e regresse sempre aqui para cheirar um pouco a nossa - que começou por ser minha - magnólia...
Salvé...

Maria do Carmo Cruz disse...

César, muito obrigada pelas boas-vindas, mas faz-me um favor: não me chames dona, nem senhora! Sou dona de quê? Só da minha consciência. Sou senhora de quê? Só do meu coração.
E provavelmente não poderia ser tua avó pela idade: estou mesmo a chegar aos 66 anos. Mas sou Avó, a sério, de tantos netos! É com Amor e gosto que te integro no meu ranchinho multicor. Um abraço da Avó Pirueta