terça-feira, 26 de agosto de 2008

Aquela que tem o olhar na janela


Estou na janela verde de minha casa.

Ao longe
O navio no mar transparece
O linho no seu porão
O azul do mar levanta-se sombra
Do azul das flores do linho.

Vejo o campo de flores azuis do linho
Estende-se azul e palha ao infinito.
Entre o verde janela e o infinito
Há um flutuar ondulado
Que em sussurro se abandona ao azul céu.

Eu estou no meio do campo
Num vestido de puro linho
E o meu vestido passa por dentro dos caules floridos
E a minha pele arranha-se
No trigueiro roçagar das fibras vegetais.
Sinto a frescura do vento matinal
Sacudir o orvalho dos caules coloridos
Sinto ser flor azul e verde janela.

Estou na janela verde de minha casa.
Não sou o mar
Nem sou o céu
Não sou azul flor
Nem verde janela

Sou aquela que tem o olhar na janela...

4 comentários:

Jota Cê Mascarenhas disse...

Bonito, leve, profundo.
A poesia anda à solta neste mês de Agosto. A janela, o mar, os campos de linho, o verde da janela. E o olhar na janela.
Bonito.

Passiflora Maré disse...

Obrigada jota cê. Ele há dias...

Armando S. Sousa disse...

Como sou muitíssimo inteligente, posso concluir que, a menina está à janela!

Uma beijola

AugustoMaio disse...

Maravilhosa janela, com texto a competir na beleza.