quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

o lugar dos amantes

Os amantes aparecem no verão, quando os amigos partiram
Para o sul à sua procura, deixando um lugar vago
à mesa, um bilhete entalado na porta, as plantas,
o canário, um beijo e um livro emprestado: a memória
das suas biografias incompletas. Os amigos
 
desaparecem em agosto. Consomem-nos as labaredas do sol
e os amantes que chegam ao fim da tarde
jantam e de manhã ajudam a regar as raízes das avencas
que os amigos confiaram até setembro, quando regressam
 
trazem saudades e um romance novo debaixo da língua.
Levam um beijo, os vasos, as gaiolas e os amantes
deixam um lugar vago na memória, cabelos na almofada,
uma carta, desculpas, e um livro de cabeceira que os
                   amigos lêem, pacientes, ocupando o seu lugar à mesa.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

2 comentários:

ANTÓNIO SANTOS (TOMANEL) disse...

Bonito texto.
A melancolia é sempre adorável se aplicada ao contexto da situação.
Sou:
www.umraiodeluzefezseluz.blogspot.com

oantmasantos2@gmail.com
Faro - Portugal

Anónimo disse...

O lugar dos Amantes é onde se semeia a ilusão
O lugar dos Amantes é o porto seguro de cada um de nós
O lugar dos Amantes são todos aqueles lugares que nos dão Paz, beleza e ternura
Todos temos um lugar destes e senão temos devemos tentar encontrar

( entenda-se por "amante" aquele que ama, sem qualquer outra conotação )

Tenho nome de Flor