domingo, 20 de março de 2011

Poema a tantas mãos


Se eu pudesse voar assim, rasando as águas,
pegaria nas minhas asas de vento
e dobraria os cabos dos meus medos,
movido pelas garças do tempo,
porque mais ciosas do meu chão...

Num rodopio sem fim,

lançaria ao rio as mágoas

e esperaria que a maré vaza
as despejasse no lodo dos dias

Levaria em minhas asas sementes de esperança, os sonhos, a força e o desejo de conseguir ser sempre Eu com todos os Outros.
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Voaria.
Simplesmente voava. Vento e mar.
Liberdade, inocência...
Voaria.

Seria ave.
Maior desejo não há.

Pois sendo ave, serena e poderosa
gravaria o teu nome, importal
com as asas feitas penas,
na superfície das águas

E chegaria aonde antes nunca estivera...
Ao mais recôndito canto de mim...
Tocaria a minha alma,
Levemente...
E descobriria que, afinal, também sou Luz...
E voaria...
Voaria entre as aves...

Mas incompleto, rente aos palmos de chão apenas,

sobra-me só a vista aérea em que me debruço, lentamente,

a chorar por não partir.

Maratona de ser homem,

sacudiria os estorvos,

suspenderia a

a inteligência,
e sôfrega, viveria a pulsação dos sentidos,
até à luz, aquela luz imensa
do silêncio de mim...de ti...de nós...

...tocava-te ao de leve
com a minha asa
carregada de ternura
pedia-te desculpa
dizia-te quanto te amei,
amo e amarei...

Porque sou gaivota,
errante, minha, nossa,

Se amo, sou perdoado...

8 comentários:

Anónimo disse...

lindo.
a união faz o poema...

Anónimo disse...

tão belo Meus Amigos!

Todos tão diferentes e no fundo todos tão iguais!
desabafos, lamentos, amor, ternura ...

Obrigada P. pela doçura com que tornou este" Poema a tantas mãos" dos mais sentidos que por aqui LI.
Beijinhos para todos.

E, que a escrita e partilha nos torne melhores pessoas...

Tenho nome de Flor

Carmo disse...

Um poeta... que soube fazer de nós poetas...
Há um grande conforto nesta partilha do que se sente, do que se escreve neste blog entre pessoas que se conhecem, não conhecem, estão a aprender a conhecer-se...parece que sempre se conheceram...
Obrigada a P. pela ideia e composição. Fic oudigna de publicação num livro de poemas. Parabéns a todos
um abraço a todos

ManelZé disse...

Gostei.
Poesia também é esta comunhão de ideias.

Anónimo disse...

Que bela ideia, P.
Um belo momento.
Parabéns aos Magnólicos!

Bj.
Cen)

Petra Maré disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Passiflora Maré disse...

O poema ficou belíssimo.
Como seria bom simplesmente voar.
Voaria.

Anónimo disse...

Não resisti em voltar aqui!
Já li o "Poema a tantas mãos" mais de 10 vezes e cada vez o contemplo com mais carinho..

César Paulo Salema,
ManelZé,
R.
C ( en),
Carmo,
e todos os outros que por aqui estiveram envio cor, esperança, ternura, paz , partilha e acreditem sempre que o amanhã pode ser um dia melhor para cada um de Nós.
Fiquem bem !

Tenho nome de Flor